Cinema | Frágil Equilíbrio

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Marina Marcucci

Por Marina Marcucci

Fomos assistir ao filme Frágil Equilíbrio (2016) dirigido por Guillerme García López que agora aparece nos circuitos brasileiros e já foi premiado pelo Goya como Melhor Documentário e Melhor Canção Original.  O filme tem como fio condutor os pensamentos do ex-presidente uruguaio, Pepe Mujica e é dividido em 3 frentes principais: Madrid, Tóquio e o Monte Gururú, no Marrocos. Mujica fala sobre a sua paixão pelos seres humanos e pela vida, ao mesmo tempo em que o documentário retrata as diferentes formas de miséria que se entrelaçam por um lugar-comum: a busca pela felicidade.

Enquanto os madrilenhos eram despejados de suas casas durante a crise espanhola, os africanos de Mali tentavam atravessar a fronteira com a Espanha na tentativa de uma vida mais digna. Do outro lado do planeta, executivos japoneses contavam sua rotina de trabalho que massacrava qualquer outra oportunidade de viver a vida. Afinal, o que significa estar no Primeiro Mundo? As cenas de despejo são muito fortes e mostram a capacidade do ser humano de se desumanizar. Na chegada da polícia, na madrugada, os vizinhos se acordavam com um grito de guerra, pra que todos pudessem resistir à ação e se proteger. O que poderia ser mais importante do que garantir moradia às pessoas? Mujica provoca: a propriedade é mais importante do que a humanidade? O mesmo é apresentado no ambiente de moradia e resistência dos africanos que protagonizam cenas muito emocionantes,  e defendem que  a riqueza da Europa é fruto da exploração de outros povos e territórios, e exigem o respeito de garantir um trabalho e dignidade no continente do Velho Mundo. O contraste fica por conta da história do executivo japonês, que tem a vida completamente dominada pelo trabalho e pelo sistema capitalista que permite que ele tenha coisas, sem poder vivê-las. O índice de suicídio no Japão é altíssimo e já bate 70 pessoas por dia.   

O mais chocante são as barreiras que o documentário apresenta e como elas são frágeis. Mujica desenha uma metáfora extremamente interessante sobre a humanidade, que subiu em um barco e, com oportunidade pra remar em conjunto, destroem a navegação, sem perceber que vamos todos morrer afogados. E aí?  E o que isso tudo tem a ver com a sustentabilidade? Bom, ela tá intrinsecamente conectada com a felicidade e com a plenitude de sermos quem somos e não o que temos. Mujica conversa sobre o consumo desenfreado e como a sociedade capitalista desenvolve esse desejo do ter pra ser. E essa vontade coloca em questão o que temos de mais precioso enquanto humanidade: a vida. O que é a vida, afinal? E o que é mais importante do que preservá-la? Isso só é possível com um planeta saudável.  O documentário é um retrato da nossa desumanização e uma profunda reflexão sobre o que estamos fazendo aqui. Mujica nos convida ao amor e provoca sobre as fronteiras: elas existem ou foram impostas? São fronteiras pra quem? Não somos uma coisa só? Vale a inspiração! :)

 
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