Pequenos Lixos, Grandes Problemas | Cotonetes

Você já parou pra pensar no perigo dos cotonetes pro planeta?

Quantos pequenos lixos nós consumimos e sequer paramos pra pensar no impacto deles pro planeta? Quantas vezes por semana você usa o cotonete? Pra começar, esse hábito já é super polêmico, porque vários médicos afirmam que ele faz mal aos nossos ouvidos e são bem perigosos. Segundo o Mundo Estranho, da editora Abril, o cotonete foi inventado há pouco tempo, na década de 1920, depois da Primeira Guerra Mundial por um polonês chamado Leo Gersternzang. Parece que ele teve a brilhante ideia depois de observar a mulher limpar o ouvido da filha com um pedaço de algodão preso em um palito de dente. E ele passou a produzir um cotonete com o corpo de madeira, mas o de plástico começou a ser comercializado em 63.  

  Os cotonetes são um dos resíduos mais encontrados nos oceanos, já que as estações de tratamento nem sempre conseguem filtrar os fininhos cotonetes. Segundo a Marine Conservation Society, eles foram o 6º item mais encontrado nas praias britânicas há 2 anos. Os europeus têm o hábito de jogar os cotonetes pelo vaso sanitário e eles vão parar nos oceanos ameaçando seriamente a vida marinha.  

  Você já deve ter visto essa foto por aí, né? Foi um registro do fotógrafo Justin Hofman, que praticava apneia na costa da ilha de Sumbawa, na Indonésia. Ele contou ao Washington Post que a corrente jogou vários dejetos em direção ao cavalo-marinho, que agarrou o cotonete. Ele usou a fotografia como um alerta e foi finalista de um concurso de fotógrafos da vida selvagem do Museu de História Natural de Londres. Fotos como a de Hofman provam como é preciso agir hoje pra salvarmos toda a vida marinha em perigo por causa dos nossos impactos negativos ao planeta. E cotonete é reciclável? Bom, a haste é de plástico, o que significa que é reciclável. É tirar o algodão das pontas e encaminhar pra coleta. Mas como você deve tá cansadx de saber, nem tudo que é reciclável é reciclado e o plástico tem um índice de um pouco mais de 50% de reciclagem no Brasil. Ainda assim, isso não significa que as hastes dos cotonetes estejam dentro desse número. Mas o que fazer? A boa notícia é que já tem muita gente grande de olho nesse problema. A Johnson & Johnson (a maior fabricante de cotonetes do mundo!) declarou que vai trocar todos as hastes de plástico por papel biodegradável. E essa medida rolou por causa de uma campanha lá fora, a #SwitchTheStick (ou #TroqueOPalito), voltada pra denunciar o impacto das hastes de plástico nos cotonetes pro meio ambiente. As maiores transformações estão nos menores gestos e nas mínimas mudanças de hábito. Vamos repensar mais esse?   

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Reciclável x Reciclado | Guardanapo de papel

Quando falamos sobre hábitos sustentáveis, a adoção do guardanapo de pano (especialmente na rua) é algo que choca quase sempre. A primeira pergunta que surge é, “mas qual o problema do guardanapo de papel? Ele não é bom pro meio ambiente?”. Vamos falar sobre isso?

  Você já pensou quantas vezes por dia usa um guardanapinho de papel e joga fora? A gente tem o hábito de usar ele pra tudo. Antes de qualquer coisa, precisamos pensar na produção. Os guardanapos de papel são descartáveis e, por si só, já é um bom argumento pra você abandonar esse hábito, né? Descartado depois de alguns SEGUNDOS de uso, não faz muito sentido, faz? Para produzi-lo, muita matéria-prima é utilizada, da água até a celulose (extraída de árvores!). Segundo o Instituto Akatu, para produzir 1 kg de papel virgem, 540 LITROS de água são necessários. A indústria do papel é uma das que mais usam os recursos hídricos e é a quinta que consome mais energia.  

  No Brasil, o eucalipto e o pinheiro são as principais árvores-fonte para a fabricação do papel e a força que garante a resistência dele são as pontes de hidrogênio, ou seja, as ligações químicas entre as fibras. O que viabiliza o processo da reciclagem são os processos de impermeabilização que afetam essas pontes. E o problema dos guardanapos de papel não é a sua matéria-prima, mas o seu objetivo: papeis engordurados são considerados contaminados pro processo de reciclagem. Então, a redução das pontes de hidrogênio durante a impermeabilização torna esse tipo de papel muito fraco. Isso se estende também pro papel higiênico, claro, ou também àqueles contaminados com substâncias químicas. E é sempre bom lembrar que a reciclagem é muito bacana e necessária, mas ela também consome recursos pra caramba: segundo a  Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da USP, o processo de reciclagem do papel gasta mais energia, água e produtos químicos do que usar matéria-prima virgem. Então o papel reciclado é também mais caro. Mas o guardanapo de papel tem uma vantagem muito legal: ele é compostável! E isso acarreta só uma questão: você composta o seu lixo? O problema é que  fora de casa, ele provavelmente não vai pra composteira, especialmente se você joga ele no lixo comum. Então, sempre, a melhor opção é evitar o uso! A dica? Levar com você sempre um guardanapo de pano: pode ser um pedaço de uma camiseta velha ou você mesmx pode costumar com tecidos bem coloridos, fica lindo! Coloca um na mochila, um na bolsa e pronto! Você nunca mais vai precisar consumir um guardanapo de papel :) E antes que você pense, "mas não usa muita água pra lavar?" Bom, já falamos do consumo do guardanapo na produção dele, mas você pode jogar os pedacinhos de pano na máquina e pronto! Fácil, fácil. Vamos juntxs? A Fe já falou um pouco sobre o kit que ela carrega com ela pra gerar sempre menos lixo, aqui: https://youtu.be/g8u3msN8jyk      

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Pequenos lixos, grandes problemas | OS BALÕES

Precisamos falar de pequenos lixos que são problemas imensos pro nosso planeta. Vamos começar pelos balões de festa? Ele é quase sempre um dos primeiros itens da nossa checklist quando estamos organizando uma festinha, né? Vamos repensar? Os balões podem ser feitos de látex ou nylon e geralmente flutuam porque são recheados de hélio. Pra começar, você já parou pra pensar de onde ele vem?

  O gás hélio é um dos elementos mais abundantes e leves do mundo. Ele tem esse nome porque foi descoberto com o auxílio do sol (Hélio era a personificação do sol na mitologia grega) no século XIX. Ele está presente em minerais radioativos e fontes de água mineral e só pode ser obtido pela exploração das rochas. O hélio se espalha bastante pelos EUA, Canadá, África do Sul e pelo Deserto do Saara, mas é encontrado em maior quantidade em território estadunidense. Ele é um recurso não renovável e nenhum outro elemento tem uma propriedade parecida com a sua, ou seja, é insubstituível. E estima-se que as reservas vão acabar em menos de 30 anos. E é claro que a falta dos balões serão os  menores problemas, já que o hélio é usado em equipamentos de ressonância magnética, telescópios espaciais, reatores nucleares e tantos processos de pesquisas científicas e tecnológicas. E quando a reserva acabar, acabou. Mas e aí? Só por isso os balões são uma ameaça ao planeta? Nananinanão!

  Os balões podem ser fabricados de dois materiais, de látex e de nylon. Os primeiros são considerados mais adequados, porque são biodegradáveis, mas demoram de 6 meses a 4 anos pra se decompor, ou seja, tempo suficiente pra causar impactos irreversíveis. E não necessariamente vão atingir o processo quando em contato com a água salgada. Já os de nylon não são biodegradáveis… bom, fim de papo, né? Além do problema óbvio da poluição terrestre e dno mar, os balões vazios são confundidos pelos animais com alimentos e, então, eles comem plástico. As maiores vítimas desse resíduo são as tartarugas marinhas que acham que os balões são águas-vivas (por causa do formato) e morrem de obstruções intestinais e inanição. Hoje, 1 em cada 3 tartarugas marinhas já se alimentou de plástico dos oceanos.   

  Outro problema grave são as cordinhas dos balões que são um perigo pras aves que podem ficar presas e podem ser estranguladas e as focas e os golfinhos que têm as barbatanas e bracinhos com movimentos comprometidos. E isso tudo pode gerar a morte pela fome, afogamento, amputações e infecções.  Na década de 1980, a ONG United Way of Cleveland decidiu chamar atenção soltando 1,5 milhão de balões ao mesmo tempo, mas uma tempestade aconteceu e as coisas desandaram bastante. Os balões foram puxados pra baixo pela chuva, instalando caos pelas estradas e pelo tráfego aéreo. Nesse dia, a guarda costeira realizava uma busca por velejadores desaparecidos que morreram, porque as buscas foram interrompidas pela quantidade exorbitante de balões na água. Alguns animais se machucaram, assustados, e os donos processaram a ONG pela negligência da ação.

 

  De fato, a ação parece linda pelas fotos, né? Mas a gente nem espera como pode ser nociva pro meio ambiente. Muitos dos estragos certamente não foram calculados, mas todos esses balões viraram lixo imediato. Assim como os das festinhas, eventos, feriados, etc. Precisamos mesmo deles?     

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Viajando com a mala cápsula

A Fe Cortez contou aqui como ficou o Desafio Armário Cápsula durante uma viagem pra fora do Brasil, que ela foi pra Cancún cobrir o fórum promovido pela The Economist, o World Ocean Summit e pra San Diego na 6ª Insternational Marine Debris Conference da ONU. Lugares com temperaturas completamente diferentes, com ambientes formais, pra passear e muita correria. E aí? Depois de montar a mala cápsula e viajar, será que tudo funcionou? Qual foi o saldo das menos de 40 peças que foram com elas? E como faz pra não lavar roupa? A Fe fez um balanço disso tudo no nono episódio e convidou as desafiadas pra contarem um pouco sobre as suas experiências com malas cápsulas. E, claro, que a Fe não ia perder a oportunidade de desafiar mais uma parceira: a Thais Stevin, do Projeto Route, foi até a Califórnia e encarou o desafio de viajar com o mínimo de roupa possível. Quer saber como ficou tudo isso? Dá um play

 
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Reciclável x Reciclado | latinhas de alumínio

Vamos falar de coisa boa? Já assistiu ao episódio da websérie “Dicas da Fe Cortez” sobre lata versusgarrafa

de vidro? Dá um play aqui:   https://www.youtube.com/watch?v=kRBRkNu_0Vw&feature=youtu.be   Como a Fe te contou, a notícia mais incrível de todas é que o Brasil é o maior reciclador de latas de alumínio do mundo com 98% reciclados de um total estimado de 23 bilhões de unidades por ano. Nós ocupamos esse espaço no ranking há 15 anos e somos referência para grandes países desenvolvidos por aí. Em apenas 60 dias uma lata pode sair da prateleira e voltar para consumo depois de reciclada. Em 2015, a coleta de latas para reciclagem injetou R$ 730 milhões na economia brasileira. As latinhas surgiram nos EUA na década de 1960 e desde então apresentam avanços no processo de reciclagem. Há quase 30 anos, 1kg de alumínio reciclado era capaz de produzir 42 latas de 350 ml. Em 2015, esse total passou a ser de 74 latinhas. Ainda que a maior parte do alumínio reciclado seja destinado às latas de sucos, refrigerantes e cervejas, ele também é usado para fabricação de janelas, portas, eletrodomésticos, cadeiras, mesas, etc. O material é super procurado pela indústria automobilística e pela construção civil, gerando um alto valor de mercado e, assim, uma significativa coleta do material entre os catadores e cooperativas. Segundo o CEMPRE, o alumínio vale oito vezes mais do que o vidro e 14 vezes mais do que o papelão para o mercado de reciclados.  

O alumínio é obtido pela extração da bauxita, uma atividade que impacta muito o solo e o conjunto hídrico das regiões que têm o minério. Logo, a reciclagem contribui para diminuição da atividade e ainda economiza até 95% de energia e 95% menos gases de efeito estufa do que o processo da produção da matéria virgem. O material é 100% reciclável e pode passar pelo processo muitas e muitas vezes. Mas por que os outros materiais não têm o mesmo sucesso de reciclagem que o alumínio no Brasil? Bom, o valor de mercado determina o processo e há a necessidade de demanda. As latinhas, por exemplo, são tão valiosas que sequer chegam às centrais de separação da coleta seletiva: são recolhidas muito antes pelos catadores e são responsáveis pelo sustento de muitas famílias pelo país. Agora que a gente te deu todas as vantagens de beber na latinha, que tal escolher sempre que puder? É importante entender os processos de reciclagem no país e o que é amplamente reciclado ou não, como o Menos 1 Lixo vem falando há algumas semanas. O alumínio é super reciclado por aqui (até o papel alumínio de cozinha, viu? Só não esquece de limpar antes de descartar), mas acaba que nem sempre optamos pelas latinhas na hora de fazer uma festa ou pedir em um restaurante. A informação e a consciência no consumo são as maiores ferramentas que nós temos no impacto que geramos ao meio ambiente. Mas lembra que qualquer coisa produzida gasta energia, água, emite gases de efeito estufa no transporte, então primeiramente, reduza! E tente sempre escolher uma embalagem que seja retornável, ou levar seu próprio copo ou garrafa e pedir direto nele. Mas se for comprar uma bebida pronta, e tiver que escolher um material descartável, vá de lata!   .

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Reciclável x Reciclado | long necks

Verão tá aí e precisamos falar sobre as long necks. A gente fala sempre que o consumidor, junto com a indústria, é corresponsável pelo lixo gerado no planeta, né? Isso também vale pra aquela cervejinha do fim de semana. Você já viu o episódio do “Dicas da Fe Cortez” sobre escolher entre lata, vidro ou PET na hora de beber alguma coisa gerando o menor impacto possível ao planeta? Dá um play   https://www.youtube.com/watch?v=kRBRkNu_0Vw&feature=youtu.be   Mas e as long necks? Elas são simpáticas, práticas e super vendidas por aí. E tudo bem, afinal, vidro é reciclado, certo? Bom, se você já assistiu o vídeo da Fe sabe a resposta na ponta da língua, mas a gente te conta um pouco mais. As garrafas de vidro são recicláveis, sim, mas têm um contratempo importante quando assunto é a reciclagem: pelo peso e por quebrarem com facilidade, não são atrativas para as cooperativas e têm pouco valor de mercado. Fora isso, as garrafas precisam estar vazias e higienizadas. A real é que as long necks não são reutilizáveis e pouquíssimo recicladas no Brasil! Elas são conhecidas como embalagens “one way”, ou seja, sem chance de um segundo envase. Pra competir com as latas de alumínio, a indústria mudou a sua composição química, o que impossibilita a sua reutilização.  

  Existem apenas 5 fábricas no Brasil que reciclam vidro, mas o peso inviabiliza o transporte das cidades até elas. Em Brasília, por exemplo, o vidro já não é mais um material classificado como reciclável, porque a fábrica mais próxima fica a quase 1000km da cidade. Lá, o Bar Pinella parou de vender long necks em junho do ano passado, porque as empresas não fazem a coleta reversa das garrafinhas: toda noite eram quase 220 kg de garrafas vazias que iam para o lixo comum. Em abril de 2017, a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES) apresentou uma proposta de lei para o DF para proibir a venda de bebidas em garrafas de vidro que não sejam retornáveis. Não receber as garrafinhas de volta significa que as empresas não garantem a logística reversa, ou seja, não se responsabilizam por esse resíduo sólido. E enviadas para os aterros e lixões, as long necks ainda são focos de doenças como a dengue, o zika vírus e o chikungunya, agravando o problema ambiental. Alguns lugares do Brasil já proíbem a comercialização das long necks, como Japurá no interior do Paraná e Nova Mutum no Mato Grosso. Segundo o portal FunVerde, elas podem demorar até 5.000 anos pra se decompor. Tomar atitudes sustentáveis pode ser mais simples do que você imagina. As garrafas de vidro de 600ml e 1 litro não se enquadram nesse cenário das long necks, porque elas são retornáveis. E, ainda que a taxa de reciclagem do vidro seja baixa (40%), lembra que é fundamental sempre realizar a coleta seletiva em casa e fora dela! Assim como é super importante pensar no nosso impacto enquanto consumidores para o planeta. Escolher uma cerveja em lata ao invés de uma long neck (que não é reciclada ou reutilizada) é uma atitude super importante e pode contribuir muito pro desenvolvimento sustentável do planeta em que vivemos. Já pensou quantas garrafinhas deixamos de consumir com essa decisão? Vamos juntos?    

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Projetos de compostagem urbana pra inspirar

No “Dicas da Fe Cortez” dessa semana rolou um dos assuntos mais importantes quando o tema é o nosso impacto no meio ambiente: a compostagem. A Fe mostrou a Humi, a nova composteira da Morada da Floresta (que você tem desconto usando o cupom HUMI_MENOS1LIXO, mas corre que é até o dia 21 de janeiro de 2018) e contou direitinho como funciona o processo de compostagem. O vídeo tá lindo, dá um play https://youtu.be/lwcL8FVTP6E   Mas a gente quer continuar te inspirando e trouxemos alguns projetos comunitários de compostagem maravilhosos que mudaram a vida de muita gente por aí.

  1. Revolução dos Baldinhos

  O projeto começou há dez anos em Santa Catarina e foi implementado pelo Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo (Cepagro) na comunidade Chico Mendes, no Bairro de Monte Cristo na capital. A gestão comunitária de resíduos começou como uma solução para um problema de saúde pública, resultado do lixo abandonado nas ruas da comunidade, que apresentava um dos piores IDH de Florianópolis. Preocupados com a  situação depois de uma epidemia de leptospirose, os moradores se uniram para transformar os resíduos orgânicos de Chico Mendes em adubo. O projeto começou com 5 baldinhos de 5 litros cada um e uma super fiscalização e conscientização pra engajar e sensibilizar todo mundo no processo. Hoje, parte do que é compostado é vendido para garantir a renda dos agentes comunitários que também atuam na educação ambiental de jovens nas instituições de ensino da região. Em 2015, o grupo realizou a I Formação em Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos e viabilizou uma cartilha com o passo a passo da revolução. Tem mais sobre o projeto aqui: https://youtu.be/wJwTJ4CyDBc

  1. Composta São Paulo

O projeto foi uma parceria entre a Prefeitura de São Paulo e a Morada da Floresta com objetivo de conscientizar os paulistas sobre o lixo orgânico e a importância da compostagem, garantindo todo o aparato para 2.006 residências. Foram 1467 casas e 539 apartamentos de 8 regiões diferentes de São Paulo. No total, foram mais de 10 mil famílias interessadas em participar do projeto. Os kits de compostagem doméstica foram entregues com orientação teórica e prática do processo e as famílias foram estimuladas a assumirem o papel de multiplicadores do movimento. Seis meses depois do início do Composta São Paulo, 250 toneladas de resíduos sólidos haviam sido compostados. Ao fim de um ano, os dados foram inspiradores:  

  • Apenas 47 famílias desistiram do projeto, menos de 5% do total de participantes;
  • 89% perceberam a drástica diminuição do lixo orgânico para a coleta;
  • 97% se mostraram satisfeitos com a compostagem;
  • 86% das famílias consideraram o processo fácil;
  • 85% declarou que fazer parte de um projeto comunitário foi fundamental no estímulo  para a mudança de hábito;
  • 54% revelou que comeram muito mais frutas e legumes depois da compostagem.

Os números são incríveis e é muito legal perceber que uma galera que conheceu a compostagem pela primeira vez, percebeu a mudança de vida que ela pode trazer pra gente e pro planeta. Pra saber mais sobre o projeto, dá uma olhada aqui: https://youtu.be/5U3Lo6CWtpg  

  1. São Francisco

Conhecida como a cidade mais verde dos Estados Unidos e uma das 15 mais populosas do país, São Fracisco revolucionou o conceito de compostagem e sustentabilidade urbana em 1996. Em 2009, rolou uma lei que determinou que as empresas e os moradores da cidade deveriam separar os lixos orgânicos dos recicláveis, obrigando toda a população a pensar na sua produção de lixo. A prefeitura ofereceu as lixeiras para a separação e multou quem não quis cumprir a lei. Hoje, São Francisco já consegue reaproveitar 80% do lixo que produz e que seria descartado nos aterros sanitários.  

  O programa de compostagem urbana da cidade é super avançado e a prefeitura tem um projeto de estar apta a ser uma cidade que pratica o desperdício zero em 2020. Desde 1996, o projeto é macro e já beneficiou mais de 200 fazendas da região com o processo da compostagem. Assim, a redução da emissão dos gases de efeito estufa acontece duplamente: no ato de compostar e evitar que os resíduos sejam enviados aos aterros e na reutilização desse adubo pelos fazendeiros californianos. A empresa que administra o programa, a Recology, afirmou que já foram evitados que mais de 300 mil toneladas métricas de dióxido de carbono tenham sido emitidos para atmosfera.

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Lata, PET ou vidro?

A gente fala muito sobre consumo consciente por aqui e precisamos praticá-lo também (e muito) em situações do dia a dia. Você pensa nas taxas de reciclagem dos materiais quando escolhe quais bebidas vai oferecer em uma festa? Ou até mesmo as que você vai levar pro consumo diário da sua casa? Você sabe qual é o material mais reciclado do Brasil? Quase todas as embalagens de bebida são recicláveis, mas não significa que são super recicladas, né? Nós somos liderança mundial em uma delas. Tá sabendo qual é? O episódio da websérie "Dicas da Fe Cortez" dessa semana te dá todas as respostas pra essas perguntas. Elas vão te ajudar a escolher de forma consciente daqui pra frente, já que o nosso impacto começa pelo consumo e nós temos o poder de impactar cada vez menos o meio ambiente com esse gesto. É uma dica especialíssima pro fim de ano. Dá um play!  

 
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Copos de plástico, isopor e papel: por que dizer não?

Os copinhos descartáveis (e como eliminar ele das nossas vidas!) são os protagonistas do episódio da semana da websérie “Dicas da Fe Cortez”, solta o play:   https://youtu.be/5ChJnTzLD68   Eles foram o estopim pro movimento do Menos 1 Lixo e foi justamente por causa deles que o nosso copinho foi idealizado: pra dar fim aos plásticos que usamos sem pensar, ao mesmo tempo em que chamamos atenção de quem tá por perto. O copo do Menos 1 Lixo é um agente de transformação de comportamento e uma super contribuição nossa à saúde do planeta.  

  Infelizmente, aqui no Brasil, o hábito dos descartáveis ainda é muito forte. A gente usa copos de plástico, isopor e papel em inúmeras ocasiões do nosso dia a dia, desde uma festinha no escritório até um café com os amigos da faculdade. É super importante começar a se perguntar por que usamos tantos copinhos e como somos responsáveis por um lixo de vida útil tão pequena. Então, que tal pensar um pouco sobre os copos que mais usamos por aí? Eles parecem inofensivos, práticos e são super baratos. Mas a que custo?  

  1. Copo de plástico

  Ele é quase indefensável, né? Todo mundo sabe como ele faz mal ao meio ambiente, mas os números só crescem e já são 720 milhões de copos de plástico consumidos POR DIA só no Brasil! São feitos de poliestireno e podem ser mais ou menos resistentes dependendo da produção. Um único copinho plástico precisa de meio litro a 3 litros de água pra ser produzido, sabia? E ele é parte dos 35% de todo o plástico que é usado apenas uma vez e jogado “fora” em apenas 20 minutos.

  Eles são muito leves e pouco interessantes aos catadores pelo baixo valor nas cooperativas e, por ser um copo, dificilmente é limpo depois de descartado e não vai pra reciclagem. A gente tem um post todo dedicado ao tópico “reciclável x reciclado” dos copos descartáveis aqui. Quantas vezes você estava na sala de espera do médico ou em uma festa com os amigos e usou o copinho descartável só uma vez, pra beber um pouquinho de água e jogou o copo no lixo? Vamos pensar nisso?  

  1. Copinhos de isopor

  Quando você bebe aquele cafezinho depois do almoço pensa no quanto o copo de isopor é nocivo ao meio ambiente? Por ser leve, ele é “arremessado” pelo vento para os oceanos e é aí que mora o problema: o isopor flutua com facilidade na água e age como uma esponja absorvendo toda a poluição dos rios e dos mares. Levando em conta que ele demora, pelo menos, 150 anos pra se decompor… é um problemão, né? Além disso, o isopor tem estireno na composição podendo ser cancerígeno.  

  O isopor é um dos maiores problemas quando o assunto é embalagem. Em Nova York, ele já é um elemento banido desde 2015: um ano antes, a cidade descartou 28.500 toneladas de isopor. Várias cidades dos EUA adotaram a ideia e lá, a taxa de reciclagem do isopor no ano passado foi de 38%. Segundo o Ecycle, o mundo já produz 2,5 milhões de toneladas de isopor e o Brasil é responsável pelo consumo de 1,5% desse total.  

  1. Copo de papel

  A gente já falou sobre a reciclagem do papel aqui. Todos aqueles copos de papel que parecem ser bastante sustentáveis não passam de uma cilada: na maioria das vezes são revestidos com resina plástica para auxiliar na manutenção da temperatura da bebida, além de evitar que o líquido vaze no papel.  

  Bom, você que é esperto nas dicas do Menos 1 Lixo já sabe que materiais misturados não são reciclados, ou seja, os copinhos de papel daquele chá ou cafézinho vão parar nos aterros sanitários e provavelmente contribuir para a liberação do gás metano junto com todos os outros lixos que ficam por ali. Fora tudo isso, pra produzir 1kg de papel são necessários 540 litros de água! Além de usar muita energia durante o processo. Ah! E os copinhos não são de papel reciclado, viu? Existe uma restrição do material e o uso com alimentos e bebidas e provavelmente ele é feito de matéria prima virgem. Então fica a pergunta: por que dizer não? Bom, porque não faz sentido produzir um lixo que você vai descartar em minutos, certo? Eles são nocivos pra nossa saúde e ainda mais pro meio ambiente. Os impactos dos descartáveis são irreversíveis e precisamos parar o consumo hoje: em 2050, a estimativa é que vai ter mais plástico do que peixe no oceano! A mudança é toda nossa. Dá uma olhada no vídeo da Fe dessa semana que ela te dá várias dicas de como substituir todos os copinhos. Ainda existem os copos compostáveis, que a Fe também falou um pouco, quando foi na EXPO Milão em 2015, assiste aqui:   https://www.youtube.com/watch?v=I3EUjLOUKi8

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Reciclável x Reciclado | papel

Já falamos na dobradinha “Reciclado versus Reciclável” sobre o PET, o isopor e os copos descartáveis. O papel é altamente reciclável e a gente até encontra ele reciclado  para vender por aí nas papelarias, certo? Mas será que ele é, de fato, reciclado? Antes de qualquer coisa, vamos falar sobre a matéria prima. O papel é feito de celulose, que é a massa celular estrutural das plantas e pode ser extraída de várias árvores, como os pinheiros, os pinus e as de eucalipto. Ela foi descoberta no século XIX pelo francês Anselme Payen e hoje é uma das mais importantes matérias primas do mundo. No Brasil, a celulose é retirada de florestas plantadas e não nativas, ou seja, pode interferir na biodiversidade da região por conta da monocultura, da exaustão do solo, das pragas e do uso de pesticidas. Hoje em dia, já se plantam clones com melhoramento genético de eucalipto para aumentar a produtividade da celulose nas florestas plantadas em escala comercial. A árvore de eucalipto é a mais usada para os fins do papel no país e 95% deles só utiliza o tronco e nem sempre as folhas e galhos são aproveitados durante o processo.  

  As árvores ainda consomem muita água. Segundo o Instituto Akatu, são necessários 540 litros de água para produzir 1kg de papel. Só por aí já deu pra entender que seria legal consumir menos papel no nosso dia a dia, né? O papel é reciclado, mas todos os tipos dele são recicláveis? Não mesmo. Papéis sujos de comida, como guardanapos, embalagens e caixas de pizza não são recicláveis. Papéis com revestimento ou misturados com plástico, cola ou alumínio também não. Isso vale pra qualquer tipo de adesivo, viu? Aquelas embalagens de salgadinho, bala, embrulho pra presente metalizados também entram nessa categoria e nada de reciclagem para eles. Então, papel alumínio, papel toalha, celofane, papel carbono, higiênico… nada disso é reciclado. Nem fotografia! Qualquer sujeira absorvida pelo papel… descarta ele do processo de reciclagem. Os mais recicláveis são as revistas, os cadernos, papéis para impressão, jornais, caixas de papelão e envelopes. E muita gente defende o uso do papel reciclável e é, claro, sempre válido. Mas o Menos 1 Lixo prioriza a redução e a reutilização, bem antes da reciclagem. O Laboratório de Química, Celulose e Energia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da USP revelou que o processo industrial da reciclagem do papel gasta mais energia, água e produtos químicos do que usar a matéria virgem. Logo, o custo do papel reciclado também é mais caro ao consumidor e ao meio ambiente.  

  Os papéis reciclados são o resultado das aparas de pós-consumo (ou seja, o que já foi usado) e as pré-consumo (o que não foi utilizado por gráficas e fábricas). A fase mais delicada do processo é a remoção das tintas dos papéis já usados, porque usa muitos componentes químicos, como o ftalato, poluente e nocivo à nossa saúde. A vida útil da matéria-prima do papel é de quatro a sete reciclagens, mas em cada novo processo, o papel perde a qualidade: o papel sulfite, por exemplo (aquele tradicional) precisa de 70% de papel virgem para ser novamente papel sulfite. Então, ainda que o papel seja reciclável, muitos são os contratempos até que ele possa ser verdadeiramente reciclado. A melhor maneira é reduzir o uso do papel: usar mais tablets, celulares e computadores para anotações, comprar livros usados, usar todos os cantinhos de uma folha de papel, guardar embrulhos de presente, evitar fitas adesivas e guardanapos de papel. E sempre repensar sobre a real necessidade de usar o papel em determinadas situações. Dá pra negar a segunda via do cartão, né? Ela não é reciclável! Dá pra transferir todas as suas contas de papel para o email e revelar só as fotos mais importantes.  

A UFSC propõe uma alternativa bem interessante para o uso dos envelopes (especialmente dentro de escritórios): eles prepararam uma etiqueta para você reutilizar várias vezes o mesmo papel, dá uma olhada aqui. Claro que etiqueta é adesivo e não recicla, mas você pode fazer a mão com uma canetinha. Outra dica é abrir o envelope com bastante cuidado para reutilizar quando precisar. Ainda existe a alternativa de reciclar o papel em casa com vários tutoriais por aí pra fazer muitos papéis lindos e diferentes. É interessante, exerce sua criatividade e você impacta menos o meio ambiente do que enviando para o lixo. São muitos os passos que podemos dar para diminuir o consumo do papel no nosso dia a dia. A reciclagem existe, mas não pode ser a primeira solução para o problema: muitas vezes o produto perde valor de mercado, nem sempre é consumido e grande parte dos papéis são inutilizados para o processo. Vamos começar a redução hoje?

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Mercados sem embalagem pelo mundo

A embalagem ainda é um dos grandes símbolos do consumo consciente (e não consciente). A gente bate muito na tecla das sacolinhas plásticas, tão necessárias e utilizadas na nossa rotina, mas elas são péssimas pro meio ambiente e existem muitas alternativas para diminuir esse impacto. Essa semana,  na websérie “Dicas da Fe Cortez”, a Fe falou sobre compras a granel e mostrou tudo o que ela usa pra ir à feira ou aos mercadinhos que vendem grãos e alimentos por peso. Dá um play pra conferir:

 

   Os mercados sem embalagem podem vir a ser uma ótima tendência pro futuro e a gente torce por isso. Ano passado, a Fe foi ao Original Unverpackt, um mercado (o nome já diz, “original sem embalagem”) em Berlim, na Alemanha, que aboliu qualquer embalagem descartável na hora de fazer as compras. E aí, como faz? A Fe mostra tudinho no vídeo: 

 

 Embora tenha sido inaugurado em 2014, o projeto teve início em 2012: as amigas Milena Glimbovski e Sarah Wolf tiveram a  ideia quando se incomodaram com o uso excessivo de embalagens plásticas para preparar uma refeição. O projeto ganhou o prêmio de Melhor Ideia e Marketing em um concurso alemão em 2013 e, um ano depois, as meninas conseguiram atingir o investimento necessário para colocar o projeto em prática através de uma campanha de crowdfounding. Mas o OU não foi o único. Em Londres, Catherine Conway abriu o Unpackeged em 2006 pensando na maneira mais sustentável de vender os alimentos de seu mercadinho, eleito um dos 500 serviços essenciais da cidade. O mercado vende produtos orgânicos e ecossustentáveis como óleos, frutas secas, queijos e pãezinhos. 

  

  Em Paris, a Bicoop 21 aberta em 2015, foi pensada aos moldes do mercado berlinense. Ela vende cerca de 250 produtos, de iogurte ao arroz, todos orgânicos, a granel e feito por produtores locais. A ideia era fechar a lojinha em dezembro do mesmo ano, mas fez tanto sucesso que está aberta até hoje.

  Lisboa também aderiu à ideia: o Maria Granel, com produtos exclusivamente de agricultores orgânicos portugueses. O site é super bonitinho (e em português!), vale a pena dar uma olhada. Eles assumem um compromisso com a natureza e com as pessoas, fornecendo alimentos livres de agrotóxicos, estimulando a não produção de lixo descartável e do desperdício de comida.  

No Brasil, a gente já tem alguma coisa parecida, mas nenhum mercado que se propõe a não vender produtos em embalagens descartáveis. Em São Paulo, o supermercado Pão de Açúcar, na avenida Ricardo Jafet, adotou a campanha "Reutilizar #pra ser feliz", experimentando a prática de vender a granel e incentivar os clientes que levem suas próprias embalagens reutilizáveis ou compre as disponíveis no supermercado.  

  Também em São Paulo, a rede alemã Vom Fass comercializa cerca de cem produtos a granel como azeites, vinagres, óleos e condimentos, tudo no esquema da embalagem reutilizável. No Brasil existem muitos mercadinhos a granel e vários deles também na capital paulista, na Zona Cerealista, uma região perto do Mercado Municipal que é entendida como o paraíso dos cereais. Lá se concentram várias lojinhas pra todos os gostos, produtos fresquinhos e tudo sob medida.

No Rio, as Casas Pedro são as mais visitadas pelos cariocas, também com uma variedade incrível de produtos frescos e a granel. Nelas e na Zona Cerealista, se você não levar sua embalagem eles usam as descartáveis, mas isso não é problema! É só você fazer a sua parte, certo? Você pode tomar a iniciativa de fazer das suas compras sem embalagens descartáveis, contribuindo pra um planeta muito mais saudável. Não faz sentido levar pra casa um plástico que você provavelmente vai jogar fora, se você pode não fazer isso: estima-se que 35% dos plásticos sejam jogados no lixo depois de 20 minutos de uso. Faça do seu consumo um consumo consciente e adote corresponsabilidade. É claro que um mercado sem embalagens é o ideal, mas se você levar as suas próprias e recusar os plásticos... bom, não é a mesma coisa? Seja responsável pelo seu lixo e vamos mudar os nossos hábitos pra pensar no futuro .  

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Reciclável x Reciclado | PET

Semana passada lançamos a série: Reciclável x Reciclado e falamos sobre o poliestireno, o plástico dos copinhos descartáveis, motivo pelo qual o Menos 1 Lixo surgiu. Foi justamente para repensar o uso desse material na nossa rotina que a Fe Cortez idealizou o copinho do movimento. O copo reutilizável também substitui aquela garrafinha de água que você deixa na mochila, sabe? Aquela PET? Mas você deve tá pensando que ela é inofensiva, já que é super reciclável. Será mesmo?

  O plástico PET foi desenvolvido por químicos britânicos na década de 1940 e é muito utilizado como fibra para tecelagem e embalagens de bebidas. As garrafinhas PET que a gente conhece bem, começaram a circular nos anos 70 e a reciclagem começou 10 anos depois, nos EUA e no Canadá. No Brasil, o plástico PET só apareceu em 1988 e começou a ser usado nas embalagens de bebidas 5 anos mais tarde, ocupando o lugar das garrafas de vidro bem rapidinho. A garrafa PET é amplamente utilizada para armazenamento de bebidas porque é leve, transparente, resistente e não quebra. No Brasil, a reciclagem desse tipo de plástico é uma das mais desenvolvidas do mundo, segundo a ABIPET, além de ter a maior variedade de aplicações. O PET reciclado pode ser transformado em muitas coisas, como edredom, cabide, roupas, embalagens de outros produtos, vassouras, etc. A gente sempre fala sobre isso aqui, mas vale reforçar que 13% dos resíduos sólidos são reciclados no Brasil. Então, ainda que sejamos campeões na reciclagem de PET… bom, falta bastante.  

  Em junho do ano passado, o preço do PET para reciclar era R$ 1,55 o quilo. As indústrias automobilísticas e têxteis foram as maiores consumidoras dele no Brasil. Um total de 274 mil toneladas de PET foram reciclados em 2016, o que representa 51% de todo o volume produzido no país. Ou seja, praticamente metade da produção foi descartada nos lixões, nos aterros ou no mar. Os 51% reciclados foram distribuídos em fibra têxtil, carpete para veículos e em novas embalagens. O número é super baixo comparado à reciclagem das latas de alumínio, por exemplo, que chega a 98% no Brasil. A reciclagem ainda tem um contratempo que quase ninguém pensa: a carga tributária. Segundo o Ecycle, o imposto sobre produtos industrializados (IPI) sobre a resina virgem é de 10%, enquanto que para uma matéria reciclável é de 12%, criando uma bitributação (dois impostos sobre o mesmo produto) que dificulta ainda mais a reciclagem. Se a reciclagem do PET é uma das mais desenvolvidas do mundo no Brasil e, ainda assim, a taxa é de 51%... dá pra entender que nem tudo que é reciclável é amplamente reciclado, certo? E o que acontece com o que “sobra” e não vai pra reciclagem? Aí que mora a questão. O descarte inadequado das garrafas PET é assunto sério e perigoso pra saúde da gente e do planeta. O plástico PET é um dos protagonistas no lixo encontrado nos oceanos e, em algumas regiões, os ambientalistas já o entendem como parte do ecossistema.  

  Você já deve ter visto por aqui algo a respeito dos microplásticos no oceano, né? Eles são um dos problemas mais urgentes! As embalagens, brinquedos e garrafas plásticas descartados incorretamente passam por um processo provocado pelo vento, pela chuva e pelas ondas do mar, fazendo com que eles se fragmentem em plásticos beeeem pequenininhos. Pequenos peixes e plânctons se alimentam deles, confundindo com comida. Os outros animais marinhos se alimentam desses primeiros e nós nos alimentamos dos peixes. Ou seja, acabamos todos comendo plástico no final desse ciclo. E fica pior: os microplásticos têm a capacidade de absorção de vários poluentes, ou seja, a gente come plástico com tempero de poluição. Eles já estão relacionados a disfunções hormonais, neurológicas, reprodutivas e imunológicas.  

  O fato de serem microscópicos dificulta a comoção das pessoas, já que enxergamos os canudinhos e os anéis de alumínio prejudicando os animais e o meio ambiente, mas os microplásticos são invisíveis aos nossos olhos embora de modo algum menos perigosos. Uma pesquisa da Orb Media de setembro desse ano revelou que os microplásticos podem ser encontrados também na nossa casa. Com base em amostras de água de mais de 150 torneiras dos cinco continentes (as do Brasil inclusive, viu?), 83% apresentaram a presença do plástico. Todo o problema está no consumo não consciente do plástico PET e, claro, também da pouca reciclagem. Mas é sempre bom lembrar que esse processo emite gás carbônico, polui e utiliza água e energia, além de desvalorizar a matéria prima e ter uma bitributação, como falamos acima. Logo, evite comprar as garrafinhas PET ou quando inevitável, compre as embalagens maiores, porque as pequenininhas têm muitas outras alternativas por aí (prefira latas de alumínio!). Já se estima que em 2050, vai ter mais plástico do que peixes nos oceanos. Se não mudarmos nosso padrão de consumo, especialmente da garrafa PET, é uma situação drástica e sem volta. Repense quando for comprar uma garrafinha de água em restaurante, pela água da casa! Leve uma garrafa ou copo reutilizável pro trabalho, pra faculdade ou pro passeio. Compre bebidas em garrafas de vidro ou latinhas de alumínio. Hoje, o foco precisa ser a diminuição do consumo, não mais a reciclagem. Vamos começar a mudar o mundo hoje?

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Menos lixo na rua, na estrada e na vida!

No segundo vídeo da websérie "Dicas da Fe Cortez", ela te conta o que leva na bolsa pra uma rotina com o mínimo de lixo possível. Você precisa de 5 minutos (sério!) pra organizar alguns itens em uma bolsinha, nada mais do que isso. É o suficiente pra jogar muito menos coisas fora (não tem fora!) todos os dias. O "Kit Menos 1 Lixo na Rua" é o básico pra você viver um dia a dia mais sustentável. Não acredita? Dá um "play" que a Fe te mostra como é fácil e prático impactar menos o planeta, começando hoje:

 

Você não precisa gastar nada, pode usar tudo que tem em casa! Fácil, né? Que tal começar e contar pra gente?

Agora, se você vai viajar, a Fe também te conta como foi a experiência dela com o Menos 1 Lixo na Estrada, um projeto para gerar o menor impacto possível na sua viagem pela Ásia. A ideia surgiu quando ela se propôs a fazer o "Desafio 1 look por uma semana", lançado pela Lilian Pacce, em que os participantes deveriam usar a mesma roupa a semana toda. Daí ela decidiu montar uma "mala cápsula", com itens indispensáveis e práticos para poder repetir com criatividade. Aqui no site, tem um super guia para você fazer a sua! Além da mala, a Fe também levou uma nécessaire sustentável, com itens naturais e que não geram lixo!

Dá uma olhada nos vídeos da viagem para te inspirar e ajudar com as dúvidas que surgem quando a gente decide ter uma vida produzindo o mínimo de lixo possível! Mudar o mundo é muito mais simples do que imaginamos, e práticas como o "Kit Menos 1 Lixo na Rua" podem gerar transformações gigantescas. Bora começar?

 

 
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Menos 1 Lixo na Estrada: Uma Viagem Lixo Zero pela Tailândia e Indonésia

Seguindo a essência de ser um movimento que propõe uma vida com menos lixo e sustentabilidade na prática, o Menos 1 Lixo inaugura a série Menos 1 Lixo Na Estrada. A ideia é fazer uma composição de conteúdo com tudo o que a Fe Cortez colocou em prática para a viagem gerar menos lixo, na aventura que começou na última segunda-feira, tendo o Sudeste Asiático como destino.

A Fe sempre se preocupou em diminuir o lixo que gera nas viagens, tanto é que já era adepta do copinho, dos talheres de bambu e do canudinho reutilizável há anos. Mas, dessa vez,  focou no planejamento para reduzir ainda seu impacto. Recrutou quatro amigas , cada uma expert em uma área específica, para ajudar na missão:

  • Alana Rox, autora do Diário de uma Vegana e apresentadora do Canal GNT, deu todas as dicas para  Fe Cortez preparar uma marmita deliciosa para ela e para o companheiro na aventura, o André Carvalhal
  • Aline Matulja, engenheira ambiental e consultora da Roda Ambiental, calculou a pegada de carbono e o que a Fe vai ter que fazer para compensar essa pegada
  • Karina Abud, consultora de estilo, deu as dicas para arrumar uma mala cápsula bem minimalista
  • Carol Cronemberger, especialista em cosmética consciente, ajudou a Fe com a necessaire e com os truques para fazer as poucas roupas que ela levou a durar mais tempo fresquinhas.

Que time! 

 

Para acompanhar todas as dicas e conteúdo, é só seguir as redes sociais do Menos 1 Lixo

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Eu testei I Pedindo água filtrada em restaurantes

Algumas pessoas não sabem, mas desde 1995 está em vigor no Estado do Rio de Janeiro a lei 2424/95 que obriga a todos os bares, restaurantes e estabelecimentos comerciais similares, a servirem água potável (filtrada), não mineral a seus clientes, de graça. Desde que eu comecei a andar com meu copinho em 2012, estudei muito sobre o impacto do lixo nas nossas vidas e por isso decidi não mais usar copos descartáveis de plástico na vida (claro que às vezes ainda preciso usar um ou outro, mas desde 01 de janeiro de 2015 já deixei de descartar 534 copos!). Tá, já deixei de descartar copinhos, mas e toda vez que vou comer fora e consumo umas 2 a 3 garrafinhas de água? Isso também começou a me incomodar bastante, porque tudo bem, não é copo, mas é garrafa, e é PET, e vira lixo. Aí, pesquisando, descobri que no Rio já está rolando essa lei há quase 20 anos e quase ninguém sabe. Mas também, será que interessa falar sobre o assunto? A quem mesmo? Bom, a mim interessa, e muito!

E há uns 3 meses eu decidi: só iria pedir água filtrada em qualquer restaurante que eu fosse. E qual não foi minha surpresa que TODOS os garçons que me atenderam até agora foram super solícitos em servir a água filtrada. Nada de cara feia, nada de reclamação. E olha que fui a diversos lugares, que vão do Bar Lagoa, ao Togu, passando pelo Santa Satisfação, e até por um café super fofo no Casa Shopping que eu parei só pra tomar um café mesmo, e me serviram a água e ainda perguntaram se preferia gelada ou natural. De todos os lugares que visitei, só um me chamou atenção, de forma negativa, que pena, porque o garçom disse que a água filtrada nem os funcionários bebiam, e assim o dono do estabelecimento preferia servir a mineral mesmo para os clientes. Ainda argumentei que o motivo de eu pedir a água filtrada era porque não queria que a embalagem virasse lixo, e não houve conversa. O restaurante em questão é o Yumê, um japonês delicioso no Horto. Alô Yumê, compra um filtro melhor porque a água que chega até aí pode ser consumida sim!! No Rio, tudo certo! Mas e São Paulo, cidade que visito com uma certa regularidade? Lá não tem essa lei, mas resolvi mesmo assim fazer uma experiência. Fui ao Spot, restaurante que ADORO, e a moça que me atendeu foi bacana, explicou que na cidade não havia essa lei, mas que me serviria água filtrada sim e que eu poderia pedir quantos copos quisesse :). Ponto pro Spot, e ponto pra São Paulo! Então, para você que está lendo esse post, e ainda não entendeu o porque dessa atitude, vale dar uma olhada em dois videos do youtube que são bemmmmm esclarecedores: o primeiro fala sobre o marketing em torno da água filtrada, é de 2010 e já teve quase 4 milhões de views: The Story of Bottled Water.

 

O segundo é um doc lançado em 2009, o Tapped, e já nessa data foi feita uma pesquisa que os Estados Unidos consumiam 29 BILHÕES de garrafinhas de água por ano, e mesmo lá, só 20%eram de fato recicladas

, ou seja, mais de 23 bilhões acabam em aterros sanitários, lixões ou simplesmente no mar. Mas tem uma frase no filme que pra mim é muito significativa: "No momento em que vivemos uma mudança climática, por que estamos transportando água pelo planeta?" e com isso poluindo ainda mais com as emissões de carbono? Pra pensar né... Inclusive, a gente já falou aqui, que a cidade de São Franciscoproibiu

este ano a venda de garrafas de água de menos de 600ml na cidade, justamente por entender que essas garrafinhas são tão nocivas que não faz sentido existir esse produto. Só mais um dado para quem ainda acha que água engarrafada é melhor: muitas marcas mineralizam água, ou seja, a água que vem da bica, igualzinha a que temos em casa, ganha alguns minerais e voilá, você bebe achando que está ingerindo a pura água das montanhas. Mais uma super jogada de marketing do mercado. Triste né? Então vamos juntos mudar esse panorama e deixar de jogar nos mares bilhões de toneladas de plástico por ano! Vem comigo e vamos juntos produzir Menos 1 Lixo!

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Amanhã é o Dia de Bike ao Trabalho, então deixe o carro na garagem e vá de bike.

Carlos Osório, Secretário de Transportes do Rio de Janeiro, publicou há algumas horas  no seu instagram @osoriorj, que amanhã (8) é o Dia de Bike ao Trabalho. Essa iniciativa nasceu da Liga Americana de Ciclistas em Newport, Rhode Island, nos Estados Unidos em 1953 e acontece em datas diferentes no mês de maio em várias cidades no mundo.

No sul da Califórnia, por exemplo, a empresa que gerencia o sistema de metrô por lá, a Metrolink, oferece passagens de graça para ciclistas no Bike to Word Day. Na cidade de Boulder, em Colorado, 11 dos maiores restaurantes e padarias ofereceram café da manhã para qualquer pessoa que chegasse no estabelecimento de bicicleta em 2012. Vários famosos também já aderiram a bike para ir para o trabalho, como o ator brasileiro Rodrigo Hilbert e a modelo internacional e blogueira da Vogue Alexia Chung.

Sem Título-1

  Uma ótima iniciativa da Prefeitura do Rio de Janeiro foi o Sistema de Bicicletas Públicas, visando oferecer à cidade uma opção de transporte sustentável e não poluente. Implantado e operado pela empresa SERTTEL, com parceria do Banco Itaú, o projeto conta com 60 estações e 600 bicicletas, distribuídas nos bairros de Copacabana, Ipanema, Leblon, Lagoa, Jardim Botânico, Gávea, Botafogo, Urca, Flamengo e Centro. Saiba como usar sua bike do Itaú aqui.

 

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Esporte e sustentabilidade

Nada está desconectado da sustentabilidade. Desde os nossos hábitos em casa, no trabalho, e, claro, até o lazer! Não adianta ser ativista em casa, se você ainda usa copinhos descartáveis quando vai ao estádio ver o jogo do seu time, né? Com o clima da Copa do Mundo rolando, vamos te dar um top 5 esportes e clubes que dão o exemplo de que o meio ambiente tá, sim, com essa bola toda! :)

 

  1. CRÍQUETE

O críquete não é um esporte muito comum no Brasil, mas é bem popular no Reino Unido, na Índia e no Paquistão. É parecido com o basebol e foi inspirado em um jogo da Idade Média chamado stoolball. O Estádio de Chinnaswamy, em Bangalore, na Índia, deu um show: adotou uma política Lixo Zero e investiu em fiscais para educar a galera a separar o lixo corretamente durante os jogos. São 40 mil espectadores a cada jogo, que geram até 4 toneladas de lixo! A separação é fundamental pra que o lixo tenha a chance de ser reciclado e, no caso do orgânico, que possa ser compostado. Os vendedores que usam descartáveis foram orientados a usarem “louça” de amido de milho. 

Já na capital da Inglaterra, o campo Kia Oval determinou que em 2 anos não usarão mais plásticos de uso único, proibindo desde já canudos e sacolinhas plásticas.

 

  1. MARATONA

Em Londres, a galera tá estudando formas de eliminar as garrafas PET durante as maratonas na cidade. Esse ano rolou a tentativa de usar copos biodegradáveis e/ou compostáveis pra tentar reduzir o número de garrafinhas por evento. Foram distribuídos 90 mil pelos corredores e as 760 mil garrafinhas foram recolhidas pra reciclagem.

No Rio, rolou uma polêmica sobre a maratona que deixou um rastro de lixo pela cidade. Muitas foram as denúncias de que os corredores não se preocupam com a Cidade Maravilhosa.

Ainda falando de corridas, vale dar uma pesquisada sobre o plogging, que é uma corrida que mistura jogging com recolhimento de lixo. O primeiro rolou na Suécia em 2017, quando uma galera resolveu correr com um saquinho pra recolher todo o lixo que encontrava pelo caminho. Existem várias outras corridas parecidas pelo mundo :)

  1. COMMONWEALTH

Esse ano realizada na Austrália, os Jogos da Commonwealth são multi-esportivos e recebem mais de 5000 atletas. Na Golden Coast, os balões de gás foram proibidos durante os eventos e todos os torcedores foram orientados a levarem a sua própria garrafa de casa ou um copo reutilizável para beberem água nos bebedouros distribuídos pela região.

  1. BASEBOL

Nos EUA, o White Sox, time de basebol, decidiu servir todas as bebidas dos jogos sem canudinhos plásticos. E isso é incrível, porque são 215 mil por temporada

  1. FUTEBOL

Claro que por último, vamos falar de futebol! No Reino Unido, o Tottenham Hotspur anunciou, em abril, que não venderia mais plásticos descartáveis no estádio a ser inaugurado na próxima temporada. Também o principal campeonato de futebol dos EUA e do Canada, o Major League Soccer se uniu à Adidas e foram distribuídos kits de consumo consciente no estágio em parceria com a Parley e todos os clubes usaram a camiseta feita com resíduos plásticos encontrados nas praias feitas pela Adidas Parley 2018 MLS.

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