Reciclável x Reciclado | papel

7/12/2017

Já falamos na dobradinha “Reciclado versus Reciclável” sobre o PET, o isopor e os copos descartáveis. O papel é altamente reciclável e a gente até encontra ele reciclado  para vender por aí nas papelarias, certo? Mas será que ele é, de fato, reciclado? Antes de qualquer coisa, vamos falar sobre a matéria prima. O papel é feito de celulose, que é a massa celular estrutural das plantas e pode ser extraída de várias árvores, como os pinheiros, os pinus e as de eucalipto. Ela foi descoberta no século XIX pelo francês Anselme Payen e hoje é uma das mais importantes matérias primas do mundo. No Brasil, a celulose é retirada de florestas plantadas e não nativas, ou seja, pode interferir na biodiversidade da região por conta da monocultura, da exaustão do solo, das pragas e do uso de pesticidas. Hoje em dia, já se plantam clones com melhoramento genético de eucalipto para aumentar a produtividade da celulose nas florestas plantadas em escala comercial. A árvore de eucalipto é a mais usada para os fins do papel no país e 95% deles só utiliza o tronco e nem sempre as folhas e galhos são aproveitados durante o processo.  

As árvores ainda consomem muita água. Segundo o Instituto Akatu, são necessários 540 litros de água para produzir 1kg de papel. Só por aí já deu pra entender que seria legal consumir menos papel no nosso dia a dia, né? O papel é reciclado, mas todos os tipos dele são recicláveis? Não mesmo. Papéis sujos de comida, como guardanapos, embalagens e caixas de pizza não são recicláveis. Papéis com revestimento ou misturados com plástico, cola ou alumínio também não. Isso vale pra qualquer tipo de adesivo, viu? Aquelas embalagens de salgadinho, bala, embrulho pra presente metalizados também entram nessa categoria e nada de reciclagem para eles. Então, papel alumínio, papel toalha, celofane, papel carbono, higiênico… nada disso é reciclado. Nem fotografia! Qualquer sujeira absorvida pelo papel… descarta ele do processo de reciclagem. Os mais recicláveis são as revistas, os cadernos, papéis para impressão, jornais, caixas de papelão e envelopes. E muita gente defende o uso do papel reciclável e é, claro, sempre válido. Mas o Menos 1 Lixo prioriza a redução e a reutilização, bem antes da reciclagem. O Laboratório de Química, Celulose e Energia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da USP revelou que o processo industrial da reciclagem do papel gasta mais energia, água e produtos químicos do que usar a matéria virgem. Logo, o custo do papel reciclado também é mais caro ao consumidor e ao meio ambiente.   

Os papéis reciclados são o resultado das aparas de pós-consumo (ou seja, o que já foi usado) e as pré-consumo (o que não foi utilizado por gráficas e fábricas). A fase mais delicada do processo é a remoção das tintas dos papéis já usados, porque usa muitos componentes químicos, como o ftalato, poluente e nocivo à nossa saúde. A vida útil da matéria-prima do papel é de quatro a sete reciclagens, mas em cada novo processo, o papel perde a qualidade: o papel sulfite, por exemplo (aquele tradicional) precisa de 70% de papel virgem para ser novamente papel sulfite. Então, ainda que o papel seja reciclável, muitos são os contratempos até que ele possa ser verdadeiramente reciclado. A melhor maneira é reduzir o uso do papel: usar mais tablets, celulares e computadores para anotações, comprar livros usados, usar todos os cantinhos de uma folha de papel, guardar embrulhos de presente, evitar fitas adesivas e guardanapos de papel. E sempre repensar sobre a real necessidade de usar o papel em determinadas situações. Dá pra negar a segunda via do cartão, né? Ela não é reciclável! Dá pra transferir todas as suas contas de papel para o email e revelar só as fotos mais importantes.

A UFSC propõe uma alternativa bem interessante para o uso dos envelopes (especialmente dentro de escritórios): eles prepararam uma etiqueta para você reutilizar várias vezes o mesmo papel, dá uma olhada aqui. Claro que etiqueta é adesivo e não recicla, mas você pode fazer a mão com uma canetinha. Outra dica é abrir o envelope com bastante cuidado para reutilizar quando precisar. Ainda existe a alternativa de reciclar o papel em casa com vários tutoriais por aí pra fazer muitos papéis lindos e diferentes. É interessante, exerce sua criatividade e você impacta menos o meio ambiente do que enviando para o lixo. São muitos os passos que podemos dar para diminuir o consumo do papel no nosso dia a dia. A reciclagem existe, mas não pode ser a primeira solução para o problema: muitas vezes o produto perde valor de mercado, nem sempre é consumido e grande parte dos papéis são inutilizados para o processo. Vamos começar a redução hoje?

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