As sacolas do mercado não são de graça pra ninguém

22/8/2016

Por hora, no Brasil, são distribuídas mais de 1 milhão de sacolas plásticas descartáveis. Não importa se você mora em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Salvador ou em Curitiba, todo mundo paga a conta. “Centenas de jornalistas receberam nesta segunda-feira por e-mail um release assinado pela M.Free Comunicação, de São Paulo, com a seguinte chamada: "Decisão de Haddad de manter a cobrança das sacolas plásticas pelos supermercados é reprovada pela população, aponta pesquisa. Para 79% dos paulistanos, os vereadores deveriam derrubar o veto do prefeito Haddad e anular a decisão de manter a cobrança das embalagens, aponta pesquisa Datafolha." A pesquisa foi encomendada pela Plastivida. Ou seja, os maiores lobistas das sacolinhas plásticas contratam pesquisa para derrubar um projeto que pretende racionalizar o consumo dessas embalagens na maior cidade do país. De quebra, sugerem que elas devam ser distribuídas "gratuitamente", como se houvesse alguma sacola plástica grátis no mundo. Alguém acha que os varejistas não incluem nos preços dos produtos as sacolinhas "grátis"? E quando é grátis, a tendência não é levar sempre mais do que se necessita? Em boa parte do planeta, a cobrança dessas sacolinhas já é realidade (quando não se decreta o banimento delas) para compartilhar com o consumidor a responsabilidade pelo uso e pelo descarte desse material. Inserir pergunta em pesquisa sobre se alguém preferiria algo grátis é cruel. Como diz o ditado: "Grátis até injeção na testa". O problema vem depois.”

O texto acima é do jornalista André Trigueiro, especializado em jornalismo ambiental. Toda a sua atuação já foi pauta aqui no Menos 1 Lixo, em uma entrevista exclusiva. Falar sobre o uso excessivo de sacolas descartáveis, deveria ser um assunto um tanto quanto “batido”, mas não se engane, muita gente ainda não entendeu nada. Boa parte da população continua acreditando que as sacolas são de graça quando, na verdade, além de pagar o custo financeiro de cada sacolinha (já embutido no produto), pagaremos em breve, o custo ambiental. Nós já demos algumas alternativas para quem vai ao mercado, e sempre ressurge a mesma pergunta: mas e como fica a lixeira do banheiro? Hoje, nós precisamos ir além da indicação das sacolas biodegradáveis, por exemplo. Afinal, cá entre nós, não dá pra usar um argumento desse, sabendo que consumimos mais de 1 milhão de sacolinhas por hora. Por hora. 60 minutos. Você pega todas elas pensando na lixeira do banheiro?

Pesquisas, estudos, números, já apontam que, no mundo, por ano, são produzidas 250 milhões de toneladas de plástico. Cerca de 35% desse montante são usados apenas uma vez, por 20 minutos.  80% do plástico encontrado no mar têm origem em atividades em terra (domésticas, industriais e agrícolas). Se não mudarmos o nosso consumo, em 2050 teremos mais plástico que peixes nos oceanos. E se você não enxerga toda essa sujeira como um problema, talvez enxergue a fome como tal. Sendo assim, vale saber que cerca de 1 bilhão de pessoas ao redor do mundo dependem do peixe como sua principal fonte de proteína, e até 3 bilhões de pessoas dependem de áreas marinhas e costeiras para a sua subsistência, incluindo a pesca, o transporte, o turismo e o comércio. É como mostramos sempre por aqui, está tudo interligado! Esse texto poderia se tornar uma lista de muitos fatores negativamente impactados por tanta poluição, mas já deu pra refletir um pouco, né? Sabemos que o lobby é forte, que as leis importam, que a indústria tem que se reposicionar. É ótimo saber que em muitos países as sacolas foram banidas  e ruim entender que, por aqui, ainda estamos falando sobre cobrar por elas. Mas nós também precisamos acreditar no trabalho de formiguinha! No saber, no compartilhar, no conversar e convencer o vizinho, o condomínio, a cidade e o país. Afinal, quando a gente faz as contas, os prejuízos e ganhos são compartilhados. É o consumidor que faz a demanda, não o contrário. Fotos: reprodução internet

Foto do banner: The Wasted Blog
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Em 1º de Janeiro de 2015 nascia o Menos 1 Lixo, um desafio pessoal da Fe Cortez, de produzir menos lixo e provar que atitudes individuais somadas constroem um mundo mais sustentável.

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