A proibição das sacolinhas no Rio

Publicado em:
19/6/2019
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A gente sabe como é difícil desapegar do uso dos plásticos descartáveis todos os dias em tantas situações em que eles parecem a melhor opção. Especialmente as sacolinhas plásticas, que são extremamente perigosas pra nós, pros animais e pro planeta. A ONU declarou que são 5 trilhões de sacolas plásticas consumidas todos os anos e só no Brasil, consumimos 1,5 milhão por hora! É coisa demais…

Esse ano, a WWF divulgou um relatório que destaca que o Brasil é o quarto maior produtor de lixo plástico do mundo e que nós não reciclamos nem 2% disso. Em março, uma baleia foi encontrada morta nas Filipinas com 40 QUILOS de sacolinhas plásticas no estômago. Também rolou o registro de uma sacola a 11 mil metros de profundidade, na Fossa das Marianas, um dos trechos mais profundos dos oceanos.

A BOA NOTÍCIA?

Entrou em vigor a lei sancionada pelo ex-governador Luiz Fernando Pezão em 2018 que obriga todos os estabelecimentos do Rio de Janeiro a substituírem as sacolas plásticas convencionais pelas biodegradáveis e/ou reutilizáveis. E se espera, assim, que 4 bilhões de sacolinhas não sejam consumidas ao longo de 1 ano. Elas vão aguentar de 4 a 10 kg e serão da cor verde para depois serem usadas nas lixeiras os resíduos recicláveis e cinza para outros resíduos, como o lixo orgânico, pra ajudar a população na hora de separar o lixo em casa no descarte. A multa do não cumprimento dessa lei pode ser de até 34 mil reais.

Agora as sacolas dos supermercados fluminenses serão 51% de matéria-prima renovável (como a cana de açúcar), mas o que ninguém fala é que elas ainda serão de plástico. Ou seja, o impacto ambiental gerado por essas novas sacolinhas ainda é gigantesco. Isso significa que vão continuar demorando séculos para degradação e vão virar, sim, microplásticos no fim das contas.

As novas sacolas não são compostáveis (ou seja, não voltam pro ciclo da natureza, nem com as condições adequadas) e o grande perigo delas, como as das "antigas" é o pós consumo e o descarte, não a matéria-prima. Se a composição têm cana de açúcar, significa ainda que a sua produção usa (e vai usar ainda mais, pela escala) terras agricultáveis que poderiam ser destinadas pra alimentação da população.

E pra algo ser considerado biodegradável, precisa ser metabolizado por microorganismos disponíveis no meio ambiente e que convertem o resíduo em substâncias naturais, como adubo, água ou dióxido de carbono. Em 6 meses. Além disso, precisa de um ambiente propício pra que isso aconteça e ele não é nos aterros sanitários ou lixões.

É uma equação bem mais complexa do que parece. Substituir os plásticos por produtos que têm plástico na composição ou por produtos biodegradáveis em larga escala sem informar a população sobre o descarte adequado é repetir um padrão de desinformação e insustentabilidade.

Segundo o Colabora, na prática, a lei promove o consumo desse plástico verde, da Braskem, a maior produtora de resinas plásticas das Américas. Por isso, as legislação de banimento de plásticos devem ser bem analisadas. No Rio, os canudinhos foram banidos, mas surgiram os oxibiodegradáveis, um problema sério que já desmisticamos com a Fe Cortez e o André Trigueiro.

Mas e aí? Como faz?

Voltamos duas casas no jogo do consumo: que tal simplesmente recusar todas as sacolas plásticas? Você pode usar as sacolas de pano, caixas de papelão, levar na mochila e até usar os seus braços pra carregar as compras. Há décadas as sacolinhas nem existiam e não faziam falta..

São muitas as armadilhas que a indústria produz pra gente cair na fake news de que existe um plástico "verde" de verdade no mercado no Brasil hoje. E pra isso, montamos um conteúdo bem completo pra você se informar e se empoderar desse processo, recusando o que é veneno pra gente e pro planeta.

Clica aqui pra ler mais sobre pré e pós consumo de vários tipos de plásticos do mercado.

E quando falamos sobre recusar as sacolinhas, o desespero já aparece:

e o lixinho de casa?

A Fe Cortez fez um vídeo fresquinho pra te contar como ela faz na casa dela e te mostrar como é fácil banir esse plastiquINHO da nossa rotina.


Menos 1 Lixo
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