7 dicas de um guarda-roupa minimalista

7 dicas de um guarda-roupa minimalista

Publicado em:
27/1/2021
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A moda é uma das indústrias mais poluentes do mundo. A gente descarta 1 caminhão de lixo têxtil por segundo no planeta e 20% das águas são poluídas pelos processos do fashion.

Não faltam dados preocupantes sobre a complexa cadeia dessa indústria. Segundo a fundação Ellen MacArthur, se a gente empilhasse a quantidade de lixo têxtil descartado por segundo no mundo, daria para construir um Empire State e meio por dia. A gente tem uma websérie toda dedicada à moda e à sustentabilidade por aqui, o Desafio Armário Cápsula.

Fato é que um guarda-roupa minimalista é o caminho para um estilo de vida mais alinhado com o propósito de um planeta em regeneração. Não faz sentido a gente adotar o fast fashion e o look do dia se queremos construir um futuro com menos lixo e menos descarte. Hoje, a indústria da moda trabalha para oferecer 52 coleções por ano, ou seja, 1 coleção diferente por semana. Além do impacto socioambiental, esse processo ativa um gatilho de consumo muito perigoso e mexe diretamente na nossa autoestima. Quem nunca se sentiu menos adequada porque não tinha uma peça que tava na moda? 

Quando a Fe Cortez fez o Armário Cápsula, a lente dela sobre o que é essencial pra se vestir mudou profundamente. Hoje, ela usa o que gosta, o que é confortável e o que faz sentido pra ela com pouca roupa. E isso não significa menos opções, só significa menos peças paradas no armário, menos parcelas de lojas pra pagar e menos impacto socioambiental pelo consumo individual.

Por isso, vamos te dar 7 dicas de como ter um guarda-roupa minimalista. 


#1 Não é sobre números, é sobre o que funciona pra você


Quando fizemos a websérie, rolou um exercício de identificação de estilo: cores, peças, conforto. E a partir daí a Fe montou o armário, separando as roupas em pilhas de uso, não uso e talvez eu use. A análise do que realmente importava no dia a dia dela, alinhada ao estilo foi fundamental e ela reparou que várias peças estavam ali porque alguém disse que ela precisava ter. Como, por exemplo, um blazer preto pra estar na moda. Entender o seu estilo é peça-chave pra entender o que é essencial. 

Muitas pessoas ficam com medo de começar o Desafio do Armário Cápsula porque acham que é tudo sobre números mas, na verdade, por trás deles, existe uma metodologia importante de autoconhecimento e funcionalidade! O mercado quis ditar as peças must have que tínhamos que ter no nosso armário, mas a peça must have pra gente, não necessariamente é a mesma pra você! Inclusive, provavelmente não. Cada experiência é pessoal, e a gente tem um planner pra te acompanhar nesse processo e te dar uma força, vou deixar o link aqui pra vocês baixarem!


#2 Consuma menos e conscientemente


Roupas não são descartáveis! A indústria nos faz acreditar que sim mas, na verdade, a produção em massa e o barateamento do custo das roupas sustenta uma indústria que na maioria das vezes envolve trabalho análogo à escravidão na sua cadeia de produção e recursos naturais do nosso meio ambiente. Quando a roupa for barata demais, desconfie, alguém da cadeia de produção tá pagando por isso! Na indústria têxtil é muito comum que costureiras,  por exemplo, sejam submetidas a condições precárias de trabalho e são mal pagas. Isso tudo pra quando o produto final chegar na prateleira, seja barato pro consumidor. Por isso, é importante investigar o que está por trás das marcas pra além dos produtos que vendem. Prefira também comprar de pequenos produtores e de negócios locais, onde fica mais fácil ter acesso as reais condições da marca. Outro ponto de atenção é que as fibras sintéticas normalmente levam plástico na mistura da sua composição porque petróleo é barato! Ou seja, microplásticos que contaminam a água e vão parar nos oceanos quando lavamos as roupas. 


#3 Invista em qualidade


Vivianne Westwook, designer pioneira em moda sustentável já dizia “Buy less, choose well and make it last” (Compre menos, escolha direito e faça durar) 


Além de consumir menos, temos que entender a importância de colocar a qualidade dos produtos acima da quantidade. Vale muito mais a pena a gente investir em uma roupa que parece mais cara pra você - quando for barato desconfie, lembra? - e que dure mais, principalmente, se ela for de uma marca comprometida com o meio ambiente e com as leis trabalhistas. E roupas muito baratas têm pouca vida útil: rasgam com facilidade e logo vão parar nos aterros sanitários. E o guarda roupa minimalista milita contra essa lógica de descarte do fast fashion. De acordo com o Greenpeace, dobrar a vida útil de uma roupa de um pra dois anos reduz 24% de emissões de carbono ao ano. Então é um investimento na gente,  na marca, no planeta e, claro, na durabilidade da roupa, que dura uma vida inteira. 



#4 Desapegue


Já parou pra contar quantas roupas você tem no seu guarda-roupa? Pra se desapegar, primeiramente é preciso saber o que você tem e o que ele ainda faz sentido pra você. As pessoas usam cerca de 20% do seu armário em 80% do tempo, é o que a holandesa Marieke Eyskoot, que já tivemos a oportunidade de entrevistar por aqui, diz no seu livro “This is a good guide”. E o que fazer com o que não quer mais? Além de doar, você pode criar um brechó com suas amigas ou criar uma conta no enjoei por exemplo.

Deixa a energia circular! Desapegar é libertador.


#5 Adquira novos hábitos de consumo


Nem tudo que você usa precisa estar dentro do seu armário ou ser seu. Mais interessante - e sustentável - do que comprar, é trocar, compartilhar e alugar. O minimalismo propõe novos modelos de negócios. Pra que comprar um vestido super caro pra um casamento que possivelmente você só vai usar uma vez, se você pode recorrer a um serviço de aluguel, pegar emprestado com uma amiga ou comprar um de segunda mão mais barato no brechó e com mais usabilidade pra você?

Ainda sobre o livro da Marieke - o mercado de segunda mão valia mais de 16 bilhões de euros em 2017, e tem estimativa para 2022 de 34 bilhões.

Roupas que são usadas em poucas ocasiões ou que não tem a ver com se estilo, vale revisitar o investimento e se perguntar: depois que ele for usado, por quanto tempo vai ocupar espaço e ficar guardado no armário até você usar de novo? 

Já existe por exemplo armários compartilhados! Lá fora são chamados de fashion library e a LENA, por exemplo, que fica em Amsterdã, é uma referências nesse mercado. Esse movimento continua crescendo e ganhando mais adeptos e variações: a marca Filippa K, na Suíça, disponibiliza uma parte da coleção pra aluguel. Surge então um movimento na moda que enxerga a possibilidade da roupa como um serviço. 

Claro que essa dica específica não vai rolar enquanto estamos em quarentena, mas vale a provocação e, claro, anotar pra um futuro próximo.


#6 Upcycling

Recupere peças do seu armário! Por que não reinventar uma peça? Sim! Isso significa dar um nova chance pra aquela roupa, e dar outra cara pra ela! Uma calça que você não usa super vira um short bacana. Com um novo corte, um vestido longo pode virar um saião e uma blusinha. São muitas as possibilidades. E você ainda investe tempo e energia em habilidades manuais, como a costura, uma atividade incrível pra gente alinhar o nosso corpo com o nosso espírito. Antes de descartar, pensa se você não pode reaproveitar a peça de alguma forma e coloca a criatividade pra funcionar. 

Essa técnica também serve pra aquelas roupas que você não quer mais porque achou um furinho ou rasgaram, por exemplo, mas na maioria das vezes tem conserto! Eu mesma uso várias blusas com furinhos imperceptíveis pra ficar em casa. Vale também uma reflexão do que é defeito pra gente. 


#7 Aposte na atemporalidade


Essa dica serve ainda mais pra pessoas que moram aqui no Brasil já que não temos estações tão definidas e a temperatura não é estável ao longo do ano, mudando bastante entre as estações de verão e inverno, mas nada muito além disso. Você só precisa ter um bom casaco, por exemplo. Invista em peças versáteis, que você possa brincar com sobreposições e usar o ano inteiro.

É isso! Transforme o seu armário em um guarda-roupa inteligente. O nosso relacionamento com a indústria da moda é um ato político, porque quando entramos nesse movimento de fast fashion e do descarte, estamos investindo em um modelo de poluição, degradação e precarização do trabalho. Foi definitivamente revolucionário pra eu me envolver de outra forma com a moda, depois que eu fiz o meu armário cápsula e resgatei meu propósito com o meu estilo e com as minhas prioridades. Hoje a Fe Cortez investe em marcas que fazem sentido pra ela, em roupas que ela realmente precisa e em peças que não prejudicam ecossistemas e duram muito. Tem outras dicas de como ter um armário minimalista? Conta pra gente?


Menos 1 Lixo
Por:
fundo
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Sobre o movimento

Em 1º de Janeiro de 2015 nascia o Menos 1 Lixo, um desafio pessoal da Fe Cortez, de produzir menos lixo e provar que atitudes individuais somadas constroem um mundo mais sustentável.

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