Goma: um ecossistema equilibrado

Publicado em:
4/8/2015
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Lá embaixo, tudo em paz. Robalos nadam tranquilos próximos a peixes-palhaços. Algas dançam pra lá e pra cá num movimento fluído. De dentro da toca, a moreia espia tudo. Tartarugas seguem flutuando, sorrindo e espalhando tranquilidade. Tudo junto, tudo em um equilíbrio que nasce naturalmente e assim se mantém.  Ecossistema é isso. E são movimentos orgânicos e fluídos como esse que inspiram e acabam sendo refletidos na vida aqui do lado de fora do oceano. Na Goma, é assim. "Não somos um escritório compartilhado, mas um ecossistema forte para negócios e oportunidades serem geradas", resume Vinicius Machado, um dos co-fundadores dessa associação que vem se afirmando como exemplo no modelo de mundo mais colaborativo, "O espaço em si é só parte dessa dinâmica".

Goma, por si só, quer dizer uma massa disforme que pode ser maleável e flexível de acordo com a necessidade. Nasceu em 2013, lá na Região Portuária carioca, antes mesmo dessa virar uma zona de extrema valorização. Veio junto de um movimento que vem ganhando o mundo baseado na colaboração. Hoje, dois anos depois de terem encontrado os casarões e começado as reformas para ocupá-los, eles têm certo que "Essa é uma tendência que não volta mais, a cidade começa a absorver isso pro cotidiano para além de uma coisa de modinha de trabalho".

E é isso mesmo. E é um aprendizado eterno. As fórmulas não estão prontas, mas estão sendo criadas. Por lá, pra se ter uma ideia, existe um sistema de retroalimentação financeira que se mantém sem que ninguém assuma a gestão administrativa do espaço. Todas as vezes que precisaram de grana para fazer as reformas, organizaram crowdfundings. Mas crowdfundings analógicos, mesmo. Papo de olho no olho, reunindo pessoas envolvidas e seus amigos próximos e deixando de lado plataformas digitais. Na primeira, para dar o pontapé inicial, arrecadaram 220 mil reais. Na segunda, 60 mil. E a coisa dá certo justamente por conta desse engajamento de todos que estão lá não só para com as suas empresas, mas também com esse organismo chamado Goma.

Hoje, são 23 empresas e 75 associados entre os fixos e aqueles que ocupam o espaço eventualmente, que entraram através de chamadas públicas que foram fazendo da Goma um ecossistema que funciona em harmonia. "Há uma diversidade de habilidades, perfis, tamanhos e maturidades", resume Vinicius. Um ajudando o outro e focando naquilo que o momento pede. Nas últimas semanas, por exemplo, a Goma passou a ser casa da UP line, agência de Live Marketing, com expertise em Experiência de Conteúdo, que já está há10 anos no mercado e sentiu que experimentar esse processo de colaboração verdadeiramente era algo que seria diferencial para a empresa. Independente do tamanho, é importante nadar junto pro ecossistema se manter equilibrado.

E daí, essa questão de gestão e convivência vai fluindo com naturalidade.  Por lá, temas ligados à infraestrutura, ao financeiro, aos eventos e à comunicação são todos tratados em grupos de trabalho, compostos por pessoas de todas essas empresas que compartilham do mesmo teto- e de muito mais. "A gente escolheu não empreender apenas um espaço de coworking, mas fazer com que a experiência do trabalho compartilhado permeie as relações", Vini explica, "Somos todos coproprietários, é um exercício de colaboração mais sofisticado, a qualidade da energia que a gente bota na Goma é o que faz ela funcionar e inflar ou murchar, dependendo do momento".

Acaba que por um bocado de sinergia e outro de atração, por lá, todas as empresas têm algo em comum: todas tratam, de alguma forma, de temas como economia criativa, design sustentável e inovação social. "Em comum temos todos o DNA de colaboração que acaba transbordando pros projetos que as empresas entregam", resume Vinicius, "Geralmente quem vem pra perto já chega com um olhar de querer estar mais próximo disso".

E é aquilo: esse é um mundo que contagia. Geralmente, quem tem contato com esse novo modelo que vem surgindo acaba sendo parte dessa rede bonita que vai se tecendo e se fortificando. "A partir do momento que você experimenta navegar por um negócio baseado em redes de confiança e de parceria, a crise, que existe, não faz parte da rotina e da dinâmica do dia-a-dia", conta Vini. É tudo uma questão de cadenciar o olhar e parar pra ver o que, de fato, faz sentido pra vida nesse momento. E ser verdadeiro. De resto, pode deixar que o ecossistema cuida de equilibrar.

Olivia Nachle
Por:
meio
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