A cultura do bambu pode ser a solução pro desmatamento

Publicado em:
28/6/2015
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Brasil. O único país que tem o nome inspirado em uma árvore. O país com maior parte da maior floresta tropical do mundo. Um dos maiores consumidores de madeira do globo, ao lado de Estados Unidos e países europeus. É juntar esses poucos fatores e perceber que nos últimos 30 anos perdemos 15% dessa floresta pro desmatamento. Foram 27 mil quilômetros quadrados completamente desmatados -isso dá mais ou menos metade da Costa Rica todo ano. "Nós precisamos trocar o consumo de madeira pelo de bambu para acabar com o desmatamento", garante Mark Neeleman, diretor executivo da Bamboozar e empresário.

Mark é americano, nascido em Salt Lake City, em Utah, e com 13 dias de idade veio pela primeira vez ao Brasil. Entre idas e vindas pra sua terra natal, sempre esteve próximo a parques nacionais, muito por influência de seu pai, Gary Neeleman, jornalista que escreveu três livros sobre a Região Amazônica. O amor pelo Brasil o trouxe de volta várias vezes até que, em 2008, ele veio ajudar seu irmão a fundar a Azul Linhas Aéreas e, meio que sem querer, começou a perceber a grande quantidade de bambus que encontrava por aqui. Foi estudar um pouco dessa planta e, desde então, não conseguiu mais largar a ideia. Hoje, trabalha forte para "salvar primeiro a Amazônia e depois todas as florestas do mundo".

"Na Ásia, em que a área é pouca para muita população, o bambu já está sendo muito mais utilizado e é fundamental que a gente traga esse hábito para o Brasil também", ele conta. Isso porque a planta cresce muito mais rápido do que as outras árvores, podendo ganhar até 30cm por dia dependendo da espécie. Você colhe bambu, não desmata. Mais do que isso, o bambu faz processamento do carbono até 6x mais rápido do que as outras plantas e, opostamente ao eucalipto, dá nutrientes ao solo, deixando-o mais fértil. Pra se ter uma ideia, depois de Hiroshima, o bambu foi a planta escolhida para reflorestar toda a área degradada.

Mark lembra que o bambu é extremamente forte e resistente, e que é uma opção direta para construções, podendo ser usado tanto externamente (com aquele aspecto lindo), como na estrutura. "O bambu chega a ser 5x mais duro que o próprio aço", ele lembra. E não param de surgir outros produtos feitos desse material. De bicicletas a pontos de ônibus, as possibilidades são infinitas. E, sim, dá pra ficar melhor. Como essas árvores facilmente chegam aos 25 metros, há nelas muitas possibilidades de uso além da construção. "Conseguimos fazer painéis para serem usados em obras com 7 ou 8 metros do tronco, e com o que sobra dá para fazer outras coisas", Mark pontua. Por exemplo, dá pra produzir energia através de carvão de biomassa do bambu, que é uma fonte renovável; dá pra produzir álcool dele, já que ele tem até duas vezes mais componentes do açúcar do que a própria cana; dá pra produzir papel com a sua fibra e até levar a indústria têxtil pra esse mundo.

Mas, pra tudo isso virar real, a coisa tem que estar emaranhada na cultura do país. "Enquanto tentamos influenciar essa mudança de cultura através de pesquisa e informação, estamos investindo em um projeto grande no Acre, onde fica a maior floresta de bambu do mundo e também na criação de mercado, que ainda é escasso", ele conta. Pra isso, 20% de tudo que inicialmente for produzido lá vai ser destinado a feiras como Casa Cor, a designers influentes e grupos de construção que tenham a sustentabilidade como princípio. Além disso, estão criando um grande armazém de mudas para serem plantadas e vendidas pelo Brasil todo. "A ideia é criarmos parcerias com grupos que têm terrenos, providenciando mudas e comercializando-as com a intenção de comprar o produto final", Mark explica."Em 5 anos já teremos matéria para sustentar toda a demanda do Brasil."

Menos 1 Lixo
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