Qual o seu índice de Felicidade Interna Bruta?

Qual o seu índice de Felicidade Interna Bruta?

Publicado em:
11/8/2015
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1 + 1 nem sempre é dois. Estar mais rico não quer dizer estar mais feliz. Ser bem sucedido não mais quer dizer ter carreira sólida. Tempos de mudanças, meus caros. Chegamos em um ponto em que várias das teorias que faziam todo o sentido já não caem mais como uma luva. Pelo contrário: parece que a luva ficou pequena pra tanta criatividade. Caixas não param de se abrir e revelar pessoas que deixaram o que parecia ser "o correto" pra trás e passaram a mergulhar de cabeça num mundo que fosse verdadeiro pra elas. Propósito, colaboração, sustentabilidade, inovação e empreendedorismo são palavras que saíram do dicionário para traçar novos caminhos. E estilos de vida. E, mesmo com esse mundo borbulhando e inspirando, algumas coisas pararam no tempo. E não tão mais cabendo na luva.

Ensinaram pra gente que quanto mais bens e serviços fossem produzidos em um país, maior seria o Produto Interno Bruto (PIB). Que quanto maior o PIB, mais desenvolvido o país. Que quanto mais desenvolvido, mais bem estar a população teria. Uma lógica que se mostra não tão lógica assim. "O PIB é 'rústico' porque considera a produção de riqueza, mas não as condições em que ela é criada", analisa o economista Eduardo Giannetti, do Insper SP, "Pensava-se que o aumento da renda traria felicidade, mas descobrimos que ganhos adicionais não se traduzem, necessariamente, em bem-estar subjetivo". Pelo contrário: essa lógica que trazia o consumo, o lucro, a eficiência econômica e o crescimento quantitativo no cerne na questão acabou nos levando direto e reto pra uma crise sem precedentes. Crise ambiental, crise de conhecimento, crise existencial.

Como bem colocou Amartya Sen em seu livro "Sobre ética e economia", crescimento econômico e avanço da tecnologia foram por muito tempo olhados como soluções éticas para todos os problemas do globo. Mas não. Chegou-se em um ponto em que foi vital mudar o olhar e o foco das ações. "E é aí que a sustentabilidade aparece como dever ético e jurídico-políico de viabilizar o bem-estar no presente, sem prejuízo do bem-estar futuro", como coloca o professor Juarez Freitas. Pra ele, essa nova Era que começou no século XXI vem para requerer que as políticas públicas se voltem para a construção de um bem-estar comum que vai muito além do que o PIB pode medir, para combater os excessos desse modelo de materialização da civilização através de uma nova racionalidade, que chega com tudo através da sustentabilidade. E é aí que entra o FIB. Felicidade Interna Bruta, olha que lindo.

Trata-se de uma abordagem um tanto mais holística da sociedade, que questiona as "necessidades" de consumo e propõe um outro olhar, muito mais verdadeiro e inteiro, para o que chamamos de qualidade de vida. Lado a lado com a importância da questão financeira vem também a ambiental, a social e a humana. Tudo isso, junto e interligado para que, daí sim, cheguemos mais perto de um desenvolvimento real -e sustentável. O FIB não é só blablabla. O Butão, um pequeno país asiático, vem desde 2008, usando esse índice como principal guia na produção de políticas públicas no país. Como bem disse o primeiro ministro de lá, Jigme Y. Thiney, "O FIB é baseado na convicção de que o homem é compelido pela natureza para buscar a felicidade e este é o maior e único desejo de todo cidadão. A única diferença entre o Butão e os outros países é que nós não a rejeitamos como uma busca utópica".

Daí, foram criados 72 indicadores que cobrem nove dimensões e que servem para mensurar o nível de felicidade do país e darem rumo às decisões tomadas para o desenvolvimento mais global e harmonioso das metas de lá. "Crescimento econômico ilimitado em um mundo finito é insustentável, temos que repensar nossas noções de desenvolvimento", reflete Thiney. Por isso que cada uma das nove dimensões são igualmente ponderadas: bem-estar psicológico (e o otimismo em relação à vida); uso do tempo (e isso inclui as horas no trânsito ou o tempo gasto em trabalho, lazer e educação); vitalidade da comunidade (a sensação de pertencimento); cultura (o quão se aproveita dela); saúde (desde exercícios praticados até programas do governo de nutrição); educação (e os valores educacionais que se destacam); meio ambiente  (a relação do cidadão com os meios naturais e a acessibilidade à áreas verdes, sistema de coleta de lixo e biodiversidade); padrão de vida (renda familiar, seguridade das finanças e qualidade habitacional); e, por fim, governança (a relação entre a população, e mídia e governantes).

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Cada uma dessas nove dimensões, brevemente explicadas acima, serve como base para um olhar muito mais amplo e real daquilo que é necessário pra que a vida seja, de fato, vida (no seu sentido mais pleno) -e não apenas sobrevida! Trazer para o mesmo patamar que o crescimento econômico fatores como o uso do tempo livre, a relação com o meio ambiente ou com a comunidade que você vive faz com que cada um enxergue a sua posição nesse mundão de uma forma muito mais consciente. E é daí que a sustentabilidade deixa de ser teoria para se tornar prática, natural e orgânica. E quando chega nesse nível, ah, pode acreditar que 1+1 definitivamente não é dois.

Olivia Nachle
Por:
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Foto do banner: The Wasted Blog
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