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Copos a menos pela fe em 2015

Virada sustentável do Rio de Janeiro: o meu balanço

+Inspiração

12
jun
2017

Hoje é segunda feira e acordei bem cansada, mas com aquele cansaço bom! As últimas 2 semanas foram bem intensas, com muitos preparativos para a primeira edição da Virada Sustentável do Rio de Janeiro, que rolou de 9 a 11 de junho por aqui. Resolvi escrever um pouco sobre minha visão da Virada e da cidade, fazer um balanço e uma reflexão. Não faço muito isso, mas tem tanta coisa pra falar, que vem textão!

Há mais ou menos 2 meses o comitê da Virada Rio me chamou pra um dos encontros dos Grupos de Trabalho da Virada, reuniões com todos que queriam participar, pra juntos co.criarmos os eventos e atividades que ocupariam o Rio por um final de semana, com o propósito disseminar de forma divertida o que é viver na prática de forma mais sustentável.

A Virada já acontece em São Paulo há 7 anos, e chega no Rio pela primeira vez num momento bem delicado da cidade, com um governo falido, com um saneamento medíocre, uma prefeitura que ainda não disse a que veio (a não ser ter cancelado a Parada Gay da cidade e termos visto a não presença do nosso prefeito, quem é ele mesmo?, na abertura do Carnaval, o maior evento do Rio que contribui para aquecer a economia de uma cidade com um potencial gigantesco de turismo). A Virada de SP se baseia nos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU, que muita gente também não conhece, inclusive fiz um texto aqui pra falar mais disso. Para o Rio, escolheram fazer uma votação de 5 temas principais entre as 17 ODS’s, que seriam mais representativos para a cidade. De cara vemos os atores da mudança carioca preocupados com temas absolutamente relevantes para esse momento:

  1. Desigualdade Social (1 e 10)
  2. Alimentação Saudável e Sustentável (ODS’s 2 e 12)
  3. Direito à cidade e à mobilidade urbana (11)
  4. Águas (poluição e saneamento) (6)
  5. Gênero e sexualidade (ODS 5)

 

Nesse encontro sugeri que a gente abordasse ainda o tema do consumo, porque na prática ele é uma das principais formas de ativismo que TODOS temos hoje. Tenho dito muito que através das nossas escolhas de consumo temos a oportunidade de financiar as empresas que acreditamos, e de construir a cada dia o mundo onde queremos viver, inclusive e talvez muito, com o não consumo, quando não aceitamos aquele canudinho que vem automaticamente pra mesa, quando não aceitamos a sacolinha e por aí vai.

Mas voltando à Virada, esses temas acima refletem o momento da cidade e o momento do mundo. Desigualdade, água, alimentação, cidades, estão no centro das discussões da vida, das discussões dos caminhos para desenvolver a humanidade e erradicar a pobreza extrema de forma sustentável. A partir desses temas, um edital foi aberto para que pessoas, empresas, coletivos, ONGs escrevessem suas propostas.

Na minha visão, um evento como a virada é de extrema relevância para o momento que vivemos, quando a pauta mudanças climáticas está mais em alta do que nunca. Num momento em que os índices de violência no Rio estão absolutamente fora de qualquer nível perto do aceitável, num momento em que fica mais do que claro que não é nenhum governo que fará a virada da cidade e do mundo, somos nós.

De tudo o que a Virada traz, acredito que o mais importante seja fortalecer a importância da autorresponsabildiade para a co.criação do mundo, e para a resolução dos problemas. Precisamos como humanidade de uma vez por todas entender que temos que agir juntos, que estamos juntos nessa!

O Menos 1 Lixo estava presente na Virada com 2 ações distintas: junto com a Ahlma, e a Malha, criamos uma exposição que relacionava lixo e consumo, e fizemos um bate papo para falar sobre isso, que tá disponível aqui pra quem não assistiu. Nesse bate papo, fica clara a coparticipação do consumidor, da gente, como figura ativa na mudança e não só ativa na compra. Não dá mais pra falar só do papel das empresas e dos governos na gestão de resíduos, quando fazemos isso, assumimos uma postura de massa de manobra e marionetes do sistema. E sinceramente acredito que somos melhores que isso!

A segunda ação foi feita em parceria com a organização da Virada, e foi em cima do conceito da compra a granel. Comprar a granel tem várias vantagens (fiz um vídeo para o Discovery Home & Health sobre isso, dá o play) e essa compra pode ser uma das que menos gera resíduos.

Por isso confeccionamos saquinhos de algodão orgânico e distribuímos para influenciadores convidando eles para a virada e para quem estava participando das atividades na Praça Mauá no sábado de tarde. E a ação foi um sucesso!

Além disso, me convidaram para fazer uma cobertura diferente do evento, produzindo conteúdo audiovisual para as redes sociais da Virada no sábado, e fiquei pensando muito sobre o que eu gostaria de ver nas redes sociais de um evento como a Virada, até que cheguei em um conceito do “minuto da virada”. Entrevistei algumas pessoas que participaram das atividades, para que em 1 minuto elas dessem um recado do que é pra elas fazer a virada. E foi bem interessante ouvir o que foi dito.

Respeito, talvez esse seja o tema que eu mais tenha ouvido nos depoimentos. Respeito pelas pessoas em primeiro lugar. Respeito por suas escolhas sexuais. Respeito pelo seu gênero, pelas mulheres, pelas trans. Respeito pelas diferentes classes sociais. Achei até estranho ter ouvido muito mais isso do que atitudes “sustentáveis”, como cuidar das águas, andar de bike, olhar pra nossa comida de outra forma. Isso estava presente também, mas muito se falou de respeito. E muito pensei sobre isso. O que me veio bem forte foi de fato o despertar da consciência como um todo. Esse é o grande caminho que temos como humanidade. Esse é o único caminho que temos para sobreviver de fato!

O despertar da consciência traz esse respeito. Afinal de contas, como vou respeitar o outro se não me respeito? Como vou olhar pra natureza com respeito se não olho para o ser humano com respeito? Como mudar de atitude sem respeito?

E por que perdemos o senso de respeito? Será que fomos tão desrespeitados por todos os lados que nos desconectamos do real sentido dessa palavra? Com o real poder de transformação dessa atitude?

A Virada foi linda, as atividades foram todas muito bacanas, acho que faltou público em algumas delas, me deu um aperto no coração ver aquele ouro todo ali e pouca gente desfrutando dele, numa cidade com tão poucas opções de atividades de qualidade gratuitas, senti falta do maior engajamento da população na virada, em virar a cidade. E espero que tenha sido assim apenas por uma questão de divulgação…

Mas deixo como recado o olhar para o respeito. Vamos olhar pra dentro? Vamos começar pelo respeito a nós mesmos? Como está a sua relação com essa atitude? Como você pode contribuir para o respeito florescer? Como a partir dele podemos co.criar essa cidade que queremos viver?

Quero te ouvir! Deixe sua ideia nos comentários, vamos participar, vamos conversar, vamos co.criar! Sinto que o caminho é com respeito e juntos. VEM!

 

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