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Copos a menos pela fe em 2015

Reciclável x Reciclado | Copo descartável

Sem categoria

24
nov
2017

Sempre que falamos em reciclagem, surgem muitas dúvidas. Primeiro é preciso entender a diferença entre reciclável e reciclado. Reciclar é: “Reaproveitar (algo) para a produção de novos produtos, ou recuperá-los para sua reutilização” (fonte: Dicionário Aulete). Reciclável é um produto que tem todas as propriedades para ser reciclado.

Antes de qualquer coisa, é bom lembrar que no Brasil, só 3% (!) do lixo é reciclado. Isso significa que muito do que é reciclável, não se recicla. Além disso, reciclar é um dos últimos passos pra uma vida “lixo zero”, já que a reciclagem também usa recursos, energia, matéria prima, água e emite gases de efeito estufa pra levar esse material todo por aí.


Vamos começar com o poliestireno? É o tipo mais comum de plástico, das embalagens aos copinhos descartáveis. Ele foi descoberto no século XIX e passou a ser comercializado a partir de 1930, na Alemanha. É de baixo custo, resistente a ácidos e um excelente isolante acústico, térmico e elétrico. Ele existe de três formas: o poliestireno comum, o de alto impacto ou o expandido. E eles são recicláveis? Sim, mas será que são reciclados?

 

O comum é um tipo mais rígido e transparente, muito encontrado nos descartáveis, como os copos e talheres. Os de alto impacto não são transparentes e são mais resistentes, usados na produção de cabides, utensílios de cozinha e pastas organizadoras. A gente fala muito sobre os copos descartáveis na Menos 1 Lixo, mas a gente não cansa! Você sabia que para produzir um único copinho plástico, são usados de meio litro a 3 de água? E que 35% de todo o plástico produzido é usado 1 vez por até 20 minutos?

Os copos ainda liberam uma quantidade de estireno acima do que é considerado seguro pelo Ministério da Saúde, podendo ser cancerígeno. O Brasil usa, em média, 720 milhões de copos descartáveis por dia! São 262 bilhões e 800 milhões por ano que não são reciclados. Hoje, só uma fábrica no Rio e outra em São Paulo reciclam copos descartáveis.

Por isso é importante encontrar alternativas duráveis pro seu dia a dia, jamais descartáveis. Mesmo que o produto que você escolha para substituir não seja necessariamente reciclável no Brasil, o importante é que tenha uma vida útil capaz de eliminar o lixo desnecessário.

Além do poliestireno comum dos copinhos, o tipo expandido também é bastante problemático. Sabe aquele isoporzinho? Então. É impermeável e foi pensado como material para barquinhos salva-vidas na década de 40. É um excelente isolante, por isso a gente ainda usa tanto em embalagens congeladas ou naquele copinho de café. Isopor é reciclável? Sim, mas no Brasil são pouquíssimas as fábricas que reciclam, uma no Paraná e outra em São Paulo. Por ser composto de 95% de ar, (ou seja, é super leve!) a coleta e a reciclagem em massa ficam inviáveis financeiramente. Além disso, o poliestireno é muitas vezes misturado com papel, restos de comida e outros tipos de plástico, dificultando o processo.

Por ser leve, o isopor ainda pode facilmente voar para os oceanos. No mar, o poliestireno expandido é confundido com comida pelos peixes, matando várias espécies. Demora um tempão pra se degradar e eles “nadam” com facilidade. Além disso, o isopor é como uma “esponja poluente” e absorve tudo que contamina os mares.

Quando descartado em aterros e lixões, ocupa muito espaço e demora em média 150 anos para decomposição no meio ambiente. Em Nova York, o isopor já é um elemento banido desde 2015. A cidade norte-americana deu fim a qualquer embalagem de isopor: em 2014, descartou 28.500 toneladas e em 2017 determinou que a reciclagem era inviável. Várias cidades dos EUA adotaram a ideia. Lá, a taxa de reciclagem do isopor em 2016 foi de 38%.

No Brasil, o pouco do isopor reciclado é utilizado na construção civil desde 2010. De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria Química, o consumo no país registrou um crescimento de 120% na primeira década dos anos 2000. A produção passou de 40 mil toneladas em 2003 para 100 mil em 2013.

Os números e dados no Brasil são vagos no que diz respeito às taxas de reciclagem do poliestireno (ou da maioria dos materiais). Eles são recicláveis, mas não necessariamente reciclados. Logo, o consumo consciente é fundamental. É importante que a gente saiba que ser reciclável não garante a reciclagem, por inúmeros fatores, seja pela inviabilidade econômica, por falta de incentivo federal ou até pela falta de recursos científicos pra tal. Vale ressaltar também que os produtos de isopor não são considerados reutilizáveis, tendo uma vida útil muito pequena. O importante é a gente adotar no nosso dia a dia produtos duráveis, reutilizáveis e evitar ao máximo os descartáveis. Vamos pensar mais sobre isso?

 

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