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Copos a menos pela fe em 2015

Reciclável x Reciclado | PET

Isso é Útil

01
dez
2017

Semana passada lançamos a série: Reciclável x Reciclado e falamos sobre o poliestireno, o plástico dos copinhos descartáveis, motivo pelo qual o Menos 1 Lixo surgiu. Foi justamente para repensar o uso desse material na nossa rotina que a Fe Cortez idealizou o copinho do movimento. O copo reutilizável também substitui aquela garrafinha de água que você deixa na mochila, sabe? Aquela PET? Mas você deve tá pensando que ela é inofensiva, já que é super reciclável. Será mesmo?

 

O plástico PET foi desenvolvido por químicos britânicos na década de 1940 e é muito utilizado como fibra para tecelagem e embalagens de bebidas. As garrafinhas PET que a gente conhece bem, começaram a circular nos anos 70 e a reciclagem começou 10 anos depois, nos EUA e no Canadá. No Brasil, o plástico PET só apareceu em 1988 e começou a ser usado nas embalagens de bebidas 5 anos mais tarde, ocupando o lugar das garrafas de vidro bem rapidinho.

A garrafa PET é amplamente utilizada para armazenamento de bebidas porque é leve, transparente, resistente e não quebra. No Brasil, a reciclagem desse tipo de plástico é uma das mais desenvolvidas do mundo, segundo a ABIPET, além de ter a maior variedade de aplicações. O PET reciclado pode ser transformado em muitas coisas, como edredom, cabide, roupas, embalagens de outros produtos, vassouras, etc.

A gente sempre fala sobre isso aqui, mas vale reforçar que 13% dos resíduos sólidos são reciclados no Brasil. Então, ainda que sejamos campeões na reciclagem de PET… bom, falta bastante.

 

 

Em junho do ano passado, o preço do PET para reciclar era R$ 1,55 o quilo. As indústrias automobilísticas e têxteis foram as maiores consumidoras dele no Brasil. Um total de 274 mil toneladas de PET foram reciclados em 2016, o que representa 51% de todo o volume produzido no país. Ou seja, praticamente metade da produção foi descartada nos lixões, nos aterros ou no mar. Os 51% reciclados foram distribuídos em fibra têxtil, carpete para veículos e em novas embalagens. O número é super baixo comparado à reciclagem das latas de alumínio, por exemplo, que chega a 98% no Brasil.

A reciclagem ainda tem um contratempo que quase ninguém pensa: a carga tributária. Segundo o Ecycle, o imposto sobre produtos industrializados (IPI) sobre a resina virgem é de 10%, enquanto que para uma matéria reciclável é de 12%, criando uma bitributação (dois impostos sobre o mesmo produto) que dificulta ainda mais a reciclagem.

Se a reciclagem do PET é uma das mais desenvolvidas do mundo no Brasil e, ainda assim, a taxa é de 51%… dá pra entender que nem tudo que é reciclável é amplamente reciclado, certo? E o que acontece com o que “sobra” e não vai pra reciclagem? Aí que mora a questão.

O descarte inadequado das garrafas PET é assunto sério e perigoso pra saúde da gente e do planeta. O plástico PET é um dos protagonistas no lixo encontrado nos oceanos e, em algumas regiões, os ambientalistas já o entendem como parte do ecossistema.

 

 

Você já deve ter visto por aqui algo a respeito dos microplásticos no oceano, né? Eles são um dos problemas mais urgentes! As embalagens, brinquedos e garrafas plásticas descartados incorretamente passam por um processo provocado pelo vento, pela chuva e pelas ondas do mar, fazendo com que eles se fragmentem em plásticos beeeem pequenininhos. Pequenos peixes e plânctons se alimentam deles, confundindo com comida. Os outros animais marinhos se alimentam desses primeiros e nós nos alimentamos dos peixes. Ou seja, acabamos todos comendo plástico no final desse ciclo. E fica pior: os microplásticos têm a capacidade de absorção de vários poluentes, ou seja, a gente come plástico com tempero de poluição. Eles já estão relacionados a disfunções hormonais, neurológicas, reprodutivas e imunológicas.

 

 

O fato de serem microscópicos dificulta a comoção das pessoas, já que enxergamos os canudinhos e os anéis de alumínio prejudicando os animais e o meio ambiente, mas os microplásticos são invisíveis aos nossos olhos embora de modo algum menos perigosos. Uma pesquisa da Orb Media de setembro desse ano revelou que os microplásticos podem ser encontrados também na nossa casa. Com base em amostras de água de mais de 150 torneiras dos cinco continentes (as do Brasil inclusive, viu?), 83% apresentaram a presença do plástico.

Todo o problema está no consumo não consciente do plástico PET e, claro, também da pouca reciclagem. Mas é sempre bom lembrar que esse processo emite gás carbônico, polui e utiliza água e energia, além de desvalorizar a matéria prima e ter uma bitributação, como falamos acima. Logo, evite comprar as garrafinhas PET ou quando inevitável, compre as embalagens maiores, porque as pequenininhas têm muitas outras alternativas por aí (prefira latas de alumínio!). Já se estima que em 2050, vai ter mais plástico do que peixes nos oceanos. Se não mudarmos nosso padrão de consumo, especialmente da garrafa PET, é uma situação drástica e sem volta. Repense quando for comprar uma garrafinha de água em restaurante, pela água da casa! Leve uma garrafa ou copo reutilizável pro trabalho, pra faculdade ou pro passeio. Compre bebidas em garrafas de vidro ou latinhas de alumínio. Hoje, o foco precisa ser a diminuição do consumo, não mais a reciclagem. Vamos começar a mudar o mundo hoje?

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