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Copos a menos pela fe em 2015

A gente conversou com o pessoal da Junta Local. E foi incrível

+Inspiração

08
jul
2015

Por Olivia Nachle

Aproxime-se, aconchegue-se. Em tempos em que tudo se limita a um clique, a gente esquece que por trás do clique tem um monte de gente e de história e de vidas, e esquece que são nessas coisas simples – olá, prazer, meu nome é Olivia -, como um apertar de mão e um olho no olho e um papo sincero, que os laços se criam. Os cliques facilitam e conectam gente que talvez nunca fosse se conectar, mas o olhar no olho e o bate papo no ato são o que, de fato, criam redes de afeto e de troca. É dessa combinação toda, tão oposta e complementar, que surgiu a Junta Local.

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De um lado, Thiago Nasser e Henrique Moraes vinham pensando uma plataforma (clique) que facilitasse a vida de pequenos produtores rurais, direcionando-os direto pro cliente, deixando pra trás os intermediários e, como consequência, deixando os custos mais verdadeiros, tudo isso através de uma linguagem interessante pra mostrar que rural e atrasado estão longe de ser sinônimos. Do outro, Bruno Negrão vinha batendo papos com os dois e, nessas viagens de sonhar e pensar em coisas legais, nascia um formato de feira (de evento, de reunião, de aglomeração, de junta, chame como quiser) onde desse pra conhecer produtos novos, comprar uma verdura legal, um queijo diferente, tomar uma cerveja, um café, bater um papo, conhecer histórias, perceber realidades outras, se conectar com gente que ama o que faz e que está ali pelo prazer de viver isso tudo. Aproximar, pro pessoal da Junta, segue seu sentido mais pleno. Não é só o fato de você comprar de produtores locais e ajudar a fomentar essa cultura –“Em vez de o seu tomate vir de uma fazendo gigante de Goiás, há uma rede de absatecimento de pequenos produtores na sua cidade”, Thiago explica . E quando se fala de proximidade, quer dizer também aproximação das relações. Da conversa, do tato, dos laços. “Essa é a premissa básica da Junta Local”, resume.

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A coisa fez sentido, se complementou e deixou forte a intenção: aproxime-se, aconchegue-se. A plataforma virtual para listar e apresentar todos os pequenos produtores que fazem parte de uma bonita rede que cresceu organicamente. Gente que tem paixão pelo que faz, que bota a mão na massa pra criar e produzir algo tão único, que fale de forma transparente sobre o processo de criar. Uma sacola virtual, como eles chamam, onde você consegue encomendar exatamente aquilo que quer e retirar a sua cesta cheia de delícias em um dia marcado em lugares pré-determinados, toda semana. A feira veio pra deixar completo e fazer com que o clique virasse um aperto de mão, um abraço, um beijo. Eventualmente, no dia de retirar a cesta, todos os produtores ali, mostrando o fruto dos seus trabalhos, cheios de histórias, carisma e envolvimento. Gente que consegue falar com verdade da relação com a comida. Do virtual pra vida real, um baita elo de solidariedade entre consumidor e produtor.

A primeira feira da Junta rolou em agosto de 2014 e, desde então, vem ocupando locais superinteressantes e diferentes do Rio de Janeiro, como a Casa da Glória, o IED da Praia Vermelha, a Comuna e o Parque das Ruínas… Mas a coisa cresceu, mesmo, e todos os eventos que eles organizam ficam bastante cheios de gente interessada em viver um pouco daquilo. “A feira começou a ficar muito grande e agora estamos em um momento de consolidar a Sacola Virtual e fazer as pessoas entenderem que essa rede só se constitui se houver constância, se as pessoas realmente tiverem a opção realística e pragmática de fazer compras daqueles produtores sempre”, Thiago coloca. É que eles querem manter o crescimento orgânico e sustentável e, diferente de feiras propriamente ditas, na Junta, não há venda de espaços. “É quase que um crowdfunding novo a cada feira com os participantes”, ele explica, “Cada feira tem seu custo, nós fazemos uma planilha, mostramos pros produtores e cada um contribui com quanto pode”. E a coisa funciona direitinho: hoje essa rede conta com 150 produtores que já participaram, sendo que uns 100 estão sempre presentes. Cuidado mútuo, fruto de, veja só, aproximações reais dessa vida.

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“Temos encontrado muita gente legal, muita gente apaixonada pela comida, que gosta do que faz e veste a camisa da Junta”, Thiago reflete, “É um clima muito aconchegante que veio sendo construído entre os produtores e quem vai à Junta, todo mundo que está ali é porque, de alguma maneira, quer aqueles laços de afeto”. Toda essa coisa, que começou vai fazer um ano em agosto, foi fruto do que a priori não teve  dinheiro nenhum, “Só com o nosso próprio trabalho”, Thiago lembra, “Acho que é justamente isso que faz ela funcionar: fazemos tudo com muita boa vontade”. Mas a coisa cresceu, cresceu e cresceu e agora eles estão focando naquilo de consolidar as vendas constantes pela internet. Mais: eles querem que rolem feiras simultâneas em outros lugares, ocupando espaços novos, incluindo espaços públicos. Pra isso, estão trabalhando na criação de um modelo que possa ser replicado por outras pessoas. Pra manter a essência, espalhar aproximações, reunir gente interessante e interessada e, claro, continuar dando voz a todos os pequenos produtores que colocam a mão na massa (e aquela bela pitada de amor) pra criar produtos únicos. É que, no final, é tudo uma questão de se aproximar.

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